Quinta-feira, 20 de Março de 2008

O Futuro do Cinema?

 

Cada vez mais, somos abordados com tecnologias que ajudam à realização de um filme, e que nos apresentam imagens extraordinárias, que os cinéfilos de tempos passados sonhavam obter.

 

Não falo da criação de sequências de acção, a criação de duelos e batalhas tem evoluído bastante, mas vou "meditar" num aspecto mais importante que é, o facto de a presença de uma pessoa, a presença de uma interacção entre actores, ou com o ambiente em que representam, ser cada vez menos necessária.

 

O responsável, a meu ver, por tal alargamento de horizontes foi a extraordinária adaptação para Cinema das graphic novels "Sin City", de Frank Miller, por Robert Rodriguez.

Estive recentemente a apreciar os extras do DVD desse mesmo filme, e achei soberbamente interessantes os documentários aí presentes, que, juntamente com exemplos de imagens de visões cada vez mais surpreendentes e reais, me puseram a trabalhar neste artigo.

 

Como certamente saberá o leitor, para "Sin City", o que se conseguiu alcançar "por computador" foi da maior importância. Sendo incrivelmente fiel à BD, é um filme onde o digital é mais importante que a presença de "carne e osso".

Os actores filmaram sobre um "fundo verde", o que nos transporta para a questão, será a interacção com o ambiente, importante? É, decididamente, mas existem lugares, que não podemos representar sem a ajuda das novas tecnologias. Dependendo do género de filme, se percebe quando o ambiente apenas pode ser atingido por efeitos ou não.

 

 

O mais curioso é, no entanto, o facto de em muitas cenas, a interacção entre actores não existir. Se no filme vêmos Brittany Murphy falar com Bruce Willis, tal nunca aconteceu na realidade, assim como quando Mickey Rourke fala com Jessica Alba. Ambos nunca estiveram frente a frente. Cada actor filmou a sua parte em separado, (falando para alguém que assumia o papel da personagem com quem dialogava), e depois ambas as partes da conversa são "coladas" uma à outra, pelos "computadores".

Outro exemplo é a luta entre Mickey Rourke e Elijah Wood, ambos nunca chegaram a lutar um com o outro na realidade, cada um filmou a cena contracenando com um duplo.

 

Vivemos pois, uma realidade onde é dispensável que actores estejam juntos para filmar uma cena. Mas não elimina isso muito do que se pode retirar em termos dramáticos, não elimina uma química entre personagens?

Claro que aqui, não era necessário obter desempenhos particularmente marcantes, dignos de um Óscar, "Sin City" é maioritariamente digital, um filme poderoso que mostra o que podemos alcançar em termos visuais nos dias de hoje.

 

Em exemplos ainda mais recentes, temos "300", adaptação de outra graphic novel de Frank Miller, em que o processo de "copiar" as vinhetas da BD também foi utilizado, e em que tudo o que não é actores, é digital, ou "Beowulf" que usa uma surpreendente técnica que torna a animação, ainda mais real.

 

 

 

O que me levou a recordar o filme "S1m0ne", com Al Pacino, de que já aqui falei, e no qual a actriz principal de um filme é criada inteiramente por um programa de computador, através de uma mix de talentos de actrizes existentes. Tal criação atinge interpretações poderosas que a levam a vencer prémios e a conquistar a crítica.

 

Claro que tudo isto eliminaria o "espectáculo das estrelas" que faz parte do Cinema. As personalidades, os ídolos, os boatos e os escândalos.

A presença humana, nem que apenas de actores, nunca desaparecerá, pois destruiria a identificação que o Cinema pode estabelecer com o espectador.

 

É interessante pensarmos ainda noutra possibilidade... E se conseguissemos fazer "regressar à vida" um actor?

O que me leva a recordar Heath Ledger e o filme de Terry Gilliam que deixou "a meio"... No futuro, poderá um programa de computador acabar o filme, utilizando o que existe em arquivo da pessoa?

 

Nunca deixa de ser interessante pensarmos em como as pessoas se tornam cada vez mais dispensáveis, mas também em como nunca deixarão de ser necessárias... uma máquina não pode igualar o talento de um humano... ou pode?

 

(e não, não ando a ler demasiados livros de ficção-científica, estejam descansados)

 

 

 

publicado por RJ às 12:53
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