Domingo, 23 de Dezembro de 2007

A Humildade do Ser

 

No seguimento do artigo, "O Estranho Mundo de Tim Burton" lanço agora outros artigos onde exploro em mais detalhe as obras deste realizador.

 

 

 

A história de Eduardo Mãos de Tesoura é apaixonante, e cada vez que nos volta a ser contada, deixamo-nos apaixonar ainda mais por ela.

O supremo conto de Tim Burton é mais do que um filme. É mais do que tempo que passa em frente ao ecrã. É poesia, amor e vida.

 

Quais flocos de neve, que caiem conforme o tempo passa, "Edward ScissorHands" é triste e alegre, é frio e quente, e é sobretudo belo. De uma beleza gelada, severa, mas contudo, ternurenta. Como a mão quente de um ente querido, que passa pela nossa face e a aquece. É um calor que fica, mesmo que não percebamos que continua dentro de nós.

 

Eduardo é o ser inacabado, mas no entanto, a mais completa das pessoas.

 

 

Cada vez que revisito Eduardo Mãos de Tesoura, quais velhos amigos que se encontram após uma longa separação, não consigo deixar de sorrir e de pensar para comigo mesmo, como tudo é insignificante, perante a extraordinária habilidade que temos de amar. Como tudo o que enfrentamos merece ser confrontado por aqueles momentos de paz...

Porque palavras não deixam de ser o que são, não deixam de ser uma insignificância quando não sabemos o valor que lhes dá forma. Nunca entendemos realmente como tudo é belo até o vermos com os nossos próprios olhos. O calor nunca é tão quente, se não soubermos apreciar o que traz de bom.

 

Sinceramente, "Edward ScissorHands" lembra-me porque é que o Natal é a minha época preferida do ano. Lembra-me porque gosto de ver as luzes, as cores, a alegria. Sentir o frio e avançar para a rua. Porque a Vida é isto. A Vida é Bela, e está recheada de magia e amor. E só poderemos viver esses momentos se o fizermos com humildade, se o nosso coração for puro como o de Eduardo. Só amaremos realmente quando o fizermos à luz de toda essa beleza, quando respirarmos e sentirmos cada pequeno gesto. 

 

Eduardo é inocente, dotado de uma inocência, humildade e ternura já esquecida. É frágil, e no entanto forte, forte o suficiente para arrastar todas as nossas mágoas. São contos como este, que nos fazem ver o valor de todos aqueles pequenos actos de amizade que passam despercebidos...

 

 

É por histórias destas que amo o Cinema. É por histórias destas que não tenho vergonha de chorar, seja na sala de Cinema ou noutro lado qualquer.

Digo, com orgulho, que quero ser como Eduardo. Quero ser frágil e estar rodeado daqueles que me amam, mas forte o suficiente para carregar o seu desgosto.

 

A fragilidade desta personagem é o que a torna apaixonante. A forma inocente como os seus olhos contemplam um mundo que é a nós, um sítio familiar, mas que, para este, era um universo ao qual ele não pertencia, e que o ameaçava rejeitar por ousar ser diferente.

 

Apesar de diferente, e de não compreender semelhante realidade, os olhos de Eduardo reconhecem algo como sendo familiar ao ver o rosto da mulher a quem dedica o seu amor, e a mulher que o faz esculpir ainda hoje, estátuas em gelo. 

 

O mundo adora e receia este personagem tão peculiar, e no fim ameaça destruí-lo. No fundo, receamos quem é excepcional, porque é diferente de nós. É melhor.

 

Se um dia formos inocentes, humildes, amarmos e nos sacrificarmos como Eduardo Mãos de Tesoura, o mundo será um sítio perfeito. 

 

 

publicado por RJ às 18:50
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Sábado, 24 de Novembro de 2007

Viver o Cinema

 

No seguimento do recente artigo, "O Estranho Mundo de Tim Burton" lanço agora outros artigos onde exploro em mais detalhe as obras deste realizador.

 

Hoje, acompanhamos, Ed Wood!

 

 

 

Para mim, falar sobre "Ed Wood", é como reflectir sobre o que o Cinema significa, e esse era no fundo, o objectivo de Tim Burton.

 

Aqui, acompanhamos aquele que foi votado como o pior realizador de sempre, Edward D. Wood Jr., o seu peculiar grupo de amigos, tal como ele, inadaptados, e a sua luta para triunfar na indústria cinematográfica.

 

Não... não penso que tenha sido sobre isso. Nunca foi sobre "triunfar", aliás, não considero correcto pensar em "Ed Wood" como uma história de triunfo, é uma história de algo extraordináriamente mais importante.

 

A mensagem do filme vai muito mais além do que lutar contra a adversidade, pois ele representa uma lição para todos os que querem triunfar, mostra-lhes que triunfar, não é, de longe, o mais importante.

 

 

É um retrato da personagem do Visionário. Aquele que arrisca uma visão diferente, para elevar a arte a outro patamar, que independentemente de ser bom ou não, o fez. E o fez, como queria que fosse, como o sentia e como o imaginava. Porque o Cinema é uma pequena Visão, que pode significar um milhão de coisas diferentes, e por isso é que é fantástico.

 

Se os filmes de Ed Wood são os piores filmes jamais realizados, não interessa. O que interessa, é que, pior realizador ou não, sentia aquilo que todos os amantes sentem, a Magia do Cinema e o sentimento especial que confere ao coração de cada um. "Ed Wood" é um filme, feito para os que amam a 7ªarte, e uma deslumbrante homenagem a esta.

 

A mensagem do Cinema é que, não interessa se é bom ou mau, desde que sejamos Nós, do fundo do coração.

Fizemo-lo bem? Fizemo-lo mal? O que interessa é que, o que aquela fita representa somos nós, é a nossa paixão. Porque antes de compreendermos o Cinema, temos de o sentir, de o Viver.

 

Muitas vezes perguntam-me porque gosto de Cinema. A resposta que dou, é que gosto de Cinema, porque foi desde sempre a arte que mais "falou" comigo. Fez-me sentir coisas impressionantes, e olhar a vida com outros olhos.

Outra pergunta que me podem fazer, é, porque gosto de "Ed Wood". Gosto de "Ed Wood" porque é dos filmes que mais incorpora, o que o Cinema me faz sentir, e esse é o maior elogio que lhe posso fazer.

 

 

 

publicado por RJ às 10:52
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Terça-feira, 6 de Novembro de 2007

Luz nas Trevas I/II

 

No seguimento do recente artigo, "O Estranho Mundo de Tim Burton" lanço agora outros artigos onde exploro em mais detalhe as obras deste realizador.

 

Se na nossa última viagem, vimos um puro exemplo de que a alegria pode muitas vezes ocultar tristeza, agora vamos ver como Burton consegue ocultar a beleza, na escuridão.

 

"The Nightmare Before Christmas" é o destino da nossa viagem de hoje.

 

 

Mesmo tendo em conta que na ficha técnica podemos encontrar Henry Selick como realizador, a história e personagens vieram da mente de Burton, e consta que este montou o filme no set de "Batman Returns".

Depois deste pequeno apontamento, é altura de mergulharmos mais uma vez no universo "Burtonesco"!

 

"The Nightmare Before Christmas" traz-nos a história de Jack Skellington, o Rei das Abóboras em Halloween Town, que vive juntamente com os restantes habitantes da cidade, uma vida onde tem como único objectivo, causar medo.

No entanto, Jack está cansado de tudo aquilo, e procura algo novo, é aí que descobre Christmas Town.

Perante esta descoberta, Jack fica maravilhado... Tanta cor, tanta alegria, e aquele sentimento especial que o Natal nos traz, que este nosso personagem não conseguia entender... Não percebia porque é que tudo aquilo a que chamavam Natal lhe causava emoções diferentes.

 

Decidido a descobrir, Jack resolve substituir o Pai Natal, mas é aí que surge um inevitável cruzamento entre os dois universos, afinal, em Halloween Town, os habitantes tinham nascido com o único propósito de causar pesadelos, e por melhores que as intenções de Jack fossem, ele próprio não o podia evitar...

 

 

Antes de mais,  um forte elogio a nível técnico. Pois todos os personagens e cenas estão desenhados com uma mestria, à qual é impossível ficar indiferente, principalmente devido a momentos musicais de beleza arrebatadora. É um universo repleto de excêntricidade, cores e personagens negros, característicos do realizador.

Esta obra foi das maiores responsáveis da filmografia do realizador, por dar a conhecer o seu fascínio por realidades alternativas, diferentes e negras, conseguindo captar nestas, a beleza do mundo.

 

Este conto, é provavelmente um dos filmes natalícios mais belos que alguma vez passaram na tela de cinema. A profundidade e verdade da história é impressionante. Se procuram um dos filmes que mais vos faz sentir aquele "calor" dos últimos dias de Dezembro, é este poema de Tim Burton.

 

A história de Jack, é um bom exemplo do que é sentido por nós no Natal. Talvez agora percebamos melhor aquele sentimento, mas das primeiras vezes que ouvimos falar na época, é natural que tenhamos ficado intrigados por saber "o que é isto?".

O que é isto que dança dos topos das árvores? O que é isto que brilha por toda a cidade? E... o que é isto, que toda esta alegria me faz sentir?

De um mundo tão negro como o do Dia das Bruxas, saiu um raio de curiosidade, transformada em luz, quando Jack contempla pela primeira vez, as colinas brancas da cidade do Pai Natal.

 

Esta aventura, é ainda uma bela reflexão sobre o lugar de cada um no mundo. Era muito difícil, talvez impossível, para o Rei das Abóboras fazer os seus companheiros, que viveram toda a eternidade rodeados de escuridão e habituados a causar o medo, entender a palavra "beleza". Mas o herói havia sido assim durante toda a sua vida... Só que de um momento para o outro, ficou maravilhado com todas estas novas possibilidades... No entanto, quando tentou mudar o Natal "à sua maneira", causou tristeza... Talvez tudo signifique que não é impossível sentirmos, só é difícil, entendermos. 

 

 

 

 

publicado por RJ às 16:35
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Sábado, 27 de Outubro de 2007

Trevas na Luz

 

No seguimento do recente artigo, "O Estranho Mundo de Tim Burton" lanço agora outros artigos onde exploro em mais detalhe as obras deste realizador.

 

Falemos, pois, de "Charlie and the Chocolate Factory", um dos mais excêntricos universos de Tim Burton!

Um mundo, que é, incrivelmente colorido.

 

 

Tim Burton, cria atmosferas profundamente belas, mas todos sabemos que, na luz, também existe escuridão... Como se comprova neste filme, onde acompanhamos um rapaz pobre numa mágica viagem.

 

As crianças que o acompanham são puras e geniais críticas a uma juventude que, como um incontável número de idosos confirmaria, "se está a perder". Cada criança é uma deliciosa caricatura em miniatura.

Temos dois rapazes, um glutão e um viciado em jogos de vídeo e televisão, que considera tudo o que o rodeia uma "perda de tempo", e duas raparigas, uma cujo maior objectivo em vida é ganhar tudo, e a outra que é ter, tudo.

Aqui estão os pecados apontados pelo mestre Burton.

 

Nenhum destes jovens, possui a singular humildade de Charlie, para quem tais coisas não constam no dicionário, e para o qual a família, é o bem mais precioso que possui.

 

 

Cedo percebemos que o mestre do chocolate fará de "juíz" no que toca a castigar os jovens pelos seus pecados, à medida que estes são (sádicamente) eliminados, um por um.

 

Mas com o avançar do filme, descobrimos ainda que nem tudo é cor no mundo do magnata dos doces, afinal, onde há luz, há escuridão.

Willie Wonka, permaneceu uma criança com o passar dos anos, após uma juventude atormentada por um pai, que representa o inimigo da indústria do chocolate, o dentista. Impedido de comer doces, Wonka acabou por fugir e iniciar o percurso que o levou à criação da mais excêntrica fábrica do Universo. Por dentro, é um novo mundo, onde não existe outra coisa, sem ser a cor.

 

 

Burton leva-nos ao encontro do tema da escuridão na luz, quando, após o terminar do filme, percebemos que Wonka havia criado um mundo alegre sem sinal da palavra tristeza, para ocultar o facto de ter tido uma juventude infeliz, e de viver intimamente atormentado. Culpando a figura da "família" e construindo um universo onde também essa palavra, não é pronunciada.

 

Esta viagem cinematográfica, é pois um divino conto para todas as crianças que vivem dentro de nós, tenhamos 7 ou 77 anos. E vale a pena dizer que, fará pensar se, a mais profunda de todas as tristezas, não é encontrada nos mais belos lugares.

 

 

 

 

publicado por RJ às 21:47
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