Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

"Batman Returns"

 

Um Lugar Sinistro

 

PremissaBruce Wayne tem agora de enfrentar as ameaças trazidas por uma invulgar personagem que dá pelo nome de Penguin, e a letal Selina Kyle, transformada em Catwoman.

 

Veredicto: Tim Burton não só é um excelente contador de histórias, como consegue criar visuais únicos. Um conjunto de talentos, e uma percepção de como fazer Cinema, que o distancia de todos os outros realizadores, tornam-no no meu preferido.

 

Entre os filmes que o lançaram para junto das estrelas, contam-se duas adaptações do herói criado por Bob Kane, Batman. Burton deu à cidade do Homem-Morcego, características visuais notáveis, com o seu habitual tom gótico. Gotham está assim sempre coberta de tons de azul e preto, que formam um lugar sombrio, neste filme perturbado por imagens da época natalícia, que lança o branco sobre as ruas, e estranhamente, acaba por ajudar a criar o manto tenebroso de que se veste a cidade.

 

O primeiro flme é preenchido sobretudo com uma soberba interpretação de Jack Nicholson, como Joker, o segundo, "Batman Returns", ganha outra dimensão através de Catwoman e Penguin.

 

Com Penguin, Burton aborda um dos temas mais abordados na sua filmografia: o dos freaks e inadaptados. Oswald Copplebott foi abandonado pelos pais, e deixado à mercê de uma sociedade que o odeia e que o tornou na pessoa cruel que é hoje, ao tê-lo colocado de parte devido ao seu grotesco aspecto físico.

A excelente interpretação de um irreconhecível Danny De Vito, que dá ao Penguin, contornos puramente sinistros, contribui para que este filme seja uma visão sombria, de um mundo de trevas, onde os protagonistas fogem ao que é comum na sociedade, e tentam ou protegê-la ou destruí-la, sendo não só o Penguin, mas também a Catwoman e o Batman, um produto desta.

 

Selina Kyle transforma-se na sedutora e implacável Catwoman, pela violência, ganância e maldade que afecta a mente das pessoas numa Gotham coberta por crime. Batman, é o defensor, criado pela necessidade de enfrentar essa degradação.

 

Michelle Pfeiffer tem uma interpretação inesquecível. Com a sua Catwoman, cria a mais interessante, sensual e irresistível mulher das histórias do Batman até à data, e uma das mais sensuais do Cinema. Consegue fazer o espectador sentir amor à personagem, e ao mesmo tempo sentir as trevas que afectam a sua pessoa. É malícia e encanto no mesmo ser, é uma das personagens mais interessantes, e a grande femme fatale deste universo.

 

O elo mais fraco neste "Batman Returns", que já o tinha sido anteriormente em "Batman", é precisamente, o Batman. Longe de ser mal interpretado por esse bom actor que é Michael Keaton, assume um segundo plano, e os verdadeiros protagonistas acabam por ser os vilões. O que Christopher Nolan fez posteriormente, explorar muito bem a personagem de Bruce Wayne, é o que falta nas visões de Tim Burton.

 

No entanto é dificíl fazer comparações entre a visão de Burton e a de Nolan, pois os dois criaram interpretações diferentes da história, conseguindo ambos, filmes extraordinários. Nos dois filmes de Burton a atenção é dada aos vilões, e não a Wayne, o que acredito ter sido propositado, e é nestes filmes que vêmos três interpretações de três vilões, inesquecíveis.

Nunca poderão ser os melhores de Burton, não deixando por isso de ser óptimos exemplos do que a mente deste cineasta é capaz de criar.

 

8.5/10

 

Memorable Quotes

 

[Catwoman is hit]
Catwoman: How could you? I'm a woman.
Batman: I'm sorry, I-I...
[she hits him]
Catwoman: As I was saying, I'm a woman and can't be taken for granted. Life's a bitch, now so am I.

 

The Penguin: You're just jealous, because I'm a genuine freak and you have to wear a mask!
Batman: You might be right.

 

Catwoman: Batman napalmed my arm, he knocked me off a building just when I was starting to feel good about myself. I wanna play an integral part in his degradation.
The Penguin: A plan is forming.
Catwoman: I want in. The thought of busting Batman makes me feel all... dirty. Maybe I'll just give myself a bath right here.
[licks herself in a cat-like manner]

 

 

 

publicado por RJ às 00:27
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Terça-feira, 22 de Julho de 2008

"Predator"

 

Duros de Roer

 

Premissa: Um grupo de guerrilheiros viaja até um país da América do Sul, no que pensa ser uma missão de salvamento, para virem a ser caçados por uma criatura extraterrestre.

 

Veredicto: Antes de se dedicar à política, Arnold Schwarzenegger era um monte de músculo capaz de intimidar o próprio Hulk, e ficou conhecido no grande ecrã por ser um homem de poucas falas, e pelos seus papéis de herói imbatível. Com ele, o lema é disparar primeiro, e nunca perguntar.

 

Este action hero, aqui no papel de Dutch, entra no filme em grande estilo, como é comum nestes personagens: óculos-de-sol e a fumar um charuto. Percebemos logo que é o guerrilheiro mais duro de roer que percorre o planeta. Ficamos depois a saber que a missão é ir a uma selva resgatar alguém, mas isso também pouco interessa. De seguida conhecemos a equipa de resgate: são homens de poucas falas e a sua lista de vocabulário não é vasta, quando abrem a boca é geralmente para se imporem como verdadeiros durões, dizendo coisas como "matar, exterminar, aniquilar", seguido de dois ou três palavrões.

Por aqui percebemos o que vamos ver na próxima hora e meia. Grandalhões na selva, armados até aos dentes, a fazer frente a uma criatura sanguinária. Nada mais.

 

"Predator" é o típico filme de acção que nós homens gostamos de ver de vez em quando, dando asas à parte selvagem da nossa personalidade, acompanhando as desventuras de um grupo de autênticos bárbaros. Está longe das habituais exigências cinematográficas dos "diálogos, caracterização de personagens, argumento original" e palavras caras como "densidade" ou "profundidade". Não vai pôr ninguém a meditar e não vai alterar a percepção que têm daquilo que vos rodeia, mas se souberem encarar o puro divertimento sem inteligência como parte natural das vossas vidas, irão gostar desta experiência. Tem aquele toque de série B, e selvajaria que sabe bem encontrar aos Domingos à tarde.

 

Fará sempre parte de uma lista de filmes recomendados, nem que seja para conhecer um dos monstros mais famosos do Cinema. Mas é impensável compará-lo a "Alien". O filme de Ridley Scott está anos-luz à frente do de John McTiernan, e tem muito mais inteligência. Com a aventura claustrofóbica de Sigourney Weaver, temos a sensação de que acabámos de ver uma excelente obra que soube misturar exemplarmente a ficção-centífica e o terror, o que aqui não acontece. Convem no entanto dizer, que, o mesmo não se aplica ao resto da saga do Alien, já que a diferença para "Aliens" é muito pequena... 

 

Um filme de durões que convem ver com os amigos acompanhado de tremoços, para no fim se poder exclamar que esta é uma obra "do caraças", sem correrem o risco de vos acharem "intelectuais".

 

7/10

 

Memorable Quotes

 

Dutch: If it bleeds, we can kill it.

 

Dutch: He's killing us one at a time...
Billy: Like a hunter.

 

Dutch: [the Predator pulls off his mask] You're one... *ugly* motherfucker!
 

 

 

publicado por RJ às 17:30
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

"Cloverfield"

 

 

O Fenómeno da Internet

 

Premissa: Um monstro ataca Manhattan no mesmo dia em que é celebrada a ida para o Japão da personagem principal, por um grupo de amigos. Este ataque à cidade fica então documentado por um rapaz, que se ocupava a filmar a festa.

 

Veredicto: A Internet é cada vez mais, um importante recurso no que toca a fazer propaganda a filmes e a criar expectativas, que fazem milhares de pessoas debater em fóruns, blogs, etc, o que prever de determinada obra.

Foi a vez do produtor do confuso e interminável "Lost", J. J. Abrams,  fazer das suas e produzir o que se tornou num fenómeno de discussão na web, com o lançamento de um trailer onde a Estátua da Liberdade perdia a cabeça. A partir daí foi um hype sem precedentes. O problema é que, tal como na sua série da ilha do Pacífico, "desenvolver" parece não constar no dicionário das produções deste senhor.

Toda esta expectativa, que não me atingiu, aliada ao facto de o filme estar feito ao estilo do "The Blair Witch Project", (as imagens, são as da tal câmara de filmar), fizeram "Cloverfield" uma das obras mais faladas do ano.

 

Confesso desde já que, por não conseguir ir tanta vez como queria ao Cinema, e por estar muito longe do estado de expectativas que rodeou o filme, não o vi no grande ecrã, e só por curiosidade resolvi, a posteriori, o fazer.

Pois bem, na minha humilde opinião, estamos perante um exemplo de expectativa criada pela Internet, e se não fosse pela discussão que rodeou rumores e imagens do filme, assim como a crença de que estaria aqui uma "redifinição do género blockbuster", e o tal "estilo da câmara de filmar", não passaria de mais um produto de pirotécnia que estreia a cada duas semanas nas salas.

Sim, é um entretenimento eficaz e um bom "filme de monstro", mas quanto a qualidade, deixa-se ficar por aí, e o tal "estilo e originalidade" adquiridos devido a ser a gravação do grupo de amigos, acabam por esconder outras fragilidades, nomeadamente, que, no que a argumento diz respeito, a obra é fraca.

 

Não pretendia ser uma história complexa, é verdade. Apenas pretendia ser um divertimento com algum estilo, e como já disse, na categoria de filmes com monstros a atacar cidades, é bom, mas poderia ser melhor. Contem a tal luta do protagonista por salvar a amada, mas o resultado em termos de argumento, é banal e resume-se a isto: pessoas a fugir de uma criatura grande, assustadora e de mau-humor.

 

Entretem, mas todo o entusiasmo que o rodeia é resultado da campanha de marketing, e do suposto "estilo e originalidade". 

 

7/10

 

Memorable Quotes

 

Rob Hawkins: Still filming?
Hud: Yeah, people are gonna want to know... how it all went down.
Rob Hawkins: Well, you can just tell them how it all went down, Hud.
Hud: No, that wouldn't work. People need to see this, you know? It's gonna be important. People are going to watch this.

 

Hud: [to Rob] Maybe you should've left town a little bit earlier, right?

 

Rob Hawkins: We got like three seconds left. What do you want to say? What do you want to say? Last thing to the cam.
Beth McIntyre: [smiling] Um... I had a good day.
[camera shuts off]

 

 

 

publicado por RJ às 21:59
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Domingo, 18 de Maio de 2008

"The Fly"

 

Metamorfoses

 

Premissa: Considerado um dos melhores remakes de sempre, conta a história Seth Brundle, um brilhante cientista que no decurso de um teste a uma máquina de teletransporte, se funde com uma mosca, começando a sofrer horríveis transformações.

 

Veredicto: "The Fly", é um filme de terror dos anos 80 da autoria de David Cronenberg, e que caracteriza bem o estilo dos filmes deste realizador até "A History of Violence", que inaugurou uma fase um pouco diferente. Aqui, em "Videodrome", "Crash" e "eXistenZ" representa transformações do corpo-humano, e baseia-se bastante no físico.

Ainda assim, o motivo que me leva a apreciar bastante esta fase do Cinema de Cronenberg, é que, contendo transformações físicas nas personagens, consegue sempre obter conflitos psicológicos extremamente interessantes.

 

Neste conto de uma experiência mirabolante falhada, a parte física é importante e impressionante, transmitindo profunda repulsa ao expectador, por ver um homem unir-se a um nojento insecto. A transformação é aterradora, tendo garantido à obra um merecido Óscar de Maquilhagem e na lista de metamorfoses monstruosas da 7ªarte, estrá certamente muito bem classificada, mas ainda assim, considero o conflito psicológico ainda mais interessante.

A mosca não mudará o protagonista apenas fisicamente, causando um simples conflito de aparências. Brundle não será um jovem brilhante incapaz de ter uma realação devido ao corpo em que está preso, não, esta mosca mudará os próprios aspectos da sua personalidade. A cada passo dado na metamorfose física, a sua mente é também conquistada pelo maléfico insecto, que tomará conta da sua personalidade, quer este queira, quer não.

 

O homem é assim reduzido aos seus mais básicos instintos. A certa altura, avisa a sua companheira, de que nunca ouvira falar em "políticas de insecto", precisamente por estes não possuirem nenhumas, e pede-lhe que não o volte a visitar, de modo a evitar magoá-la. Ele deixou de existir, apenas existe um insecto, um monstro, uma criatura tenebrosa que não desistirá de sobreviver, independentemente do que tenha de realizar.

 

Os bons desempenhos de Geena Davis, a jornalista apaixonada, que deixa de reconhecer o homem que ama debaixo da pele da mosca, e Jeff Goldblum, esse homem destruído por um ser à primeira vista insignificante, completam um filme de terror que oferece mais do que simples arrepios, tornando-se num marco do género, e da filmografia do realizador.

 

8/10

 

Memorable Quotes

 

Tawny: [after Seth says it's Tawny's turn to teleport] I'm afraid.
Seth Brundle: Don't be afraid.
Ronnie: No. Be afraid. Be very afraid.
 

Stathis Borans: If you plan to make anything disappear, please let me know - I've got an assistant editor who has outlived his usefulness.

 

Seth Brundle: You have to leave now, and never come back here. Have you ever heard of insect politics? Neither have I. Insects... don't have politics. They're very... brutal. No compassion, no compromise. We can't trust the insect. I'd like to become the first... insect politician. Y'see, I'd like to, but... I'm afraid, uh...
Ronnie: I don't know what you're trying to say.
Seth Brundle: I'm saying... I'm saying I - I'm an insect who dreamt he was a man and loved it. But now the dream is over... and the insect is awake.
Ronnie: No. no, Seth...
Seth Brundle: I'm saying... I'll hurt you if you stay.
 

 

 

publicado por RJ às 19:23
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Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

"Night At The Museum"

 

 

Ben Stiller e a Palhaçada

 

Premissa: Aquele tipo que passa a vida a fazer comédias torna-se guarda nocturno de um museu que pussuí um terrível e inacreditável segredo: tudo nele ganha vida à noite.

 

Veredicto: Já sabemos que Ben Stiller faz em média cinco comédias por ano, todas recheadas de personagens que são atacados a cada dez minutos por animais. Os médicos receitam um filme levezinho de vez em quando, mas também não é caso para exagerar e ver tudo o que é comédias deste senhor, pela desculpa de serem produtos light.

Se vos disser que não ri uma única vez, não estarei a mentir. Sim, pertenço ao clube dos que acham mais piada a humor inteligente do que a humor baseado em pessoas que batem contra árvores ao andar de bicicleta, mas não desaprovo o humor físico, desde que me faça rir, sorrir, ou no mínimo pensar "isto até está giro".

 

Não pensei vir a ter ataques de sono e irritação ao ver um filme que tem como objectivo pôr o espectador bem disposto, por isso, a única vontade que "Night at the Museum" me deu, foi a de dar uso ao botão da pausa.

As piadas e ditos gags, foram provavelmente pensados tendo em conta num questionário feito a alunos da escola primária sobre as coisas que os fazem rir, é que tem todas. Bárbaros sem regras de etiqueta, malta pequenina a conduzir carros, criaturas ameaçadoras com comportamento de animal de estimação, e claro, um macaco, esse clássico. 

 

É um humor tão infantil, tão básico, tão desprovido de inteligência e imaginação, que nem sequer cumpre o simples propósito de manter o espectador minimamente interessado e de evitar que este troque a televisão pela almofada, e adormeça, convertendo-se num produto tolo para ser vendido às massas e arrecadar uma montanha de lucros, que são tudo menos merecidos.

E temam, porque já foi anunciada uma sequela.

 

4/10

 

Memorable Quotes

 

Teddy Roosevelt: I'm made of wax, Larry. What are you made of?

 

Larry: [speaking to Civil War diorama figures] Civil war dudes... You guys are brothers for God's sake... You gotta stop fighting... North wins... Slavery is bad... Sorry... Don't want to burst your bubble but South you guys get Allmen Brothers...
[hesitates]
Larry: ...and... Nascar. So just chill!

 

Gus: Instructions; you start with 1... 2... 3...
Larry: 4?
Gus: Are you cracking wise? I oughta punch you in the nose Hopscotch

 

 

publicado por RJ às 22:29
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

"About Schmidt"

 

Em Busca da Felicidade

 

Premissa: Incapaz de lidar com a sua súbita reforma, Warren Schmidt procura um sentido para a sua vida.

 

Veredicto: Jack Nicholson, numa interpretação que lhe valeu o Globo de Ouro e a nomeação ao Óscar, encarna um homem para quem tudo deixou de fazer sentido.

Após se reformar a raiva apodera-se dele. Uma raiva que esconde dentro de si, longe dos outros, longe de ser vista... uma mágoa por no fundo saber que desperdiçou o seu tempo.

 

Encontra refúgio na missão de impedir que a sua filha case com um vendedor de colchões de água, que não parece garantir o futuro que deseja assegurar a esta. Com a morte da sua mulher percebe que a relação que manteve durante tantos anos, era um vazio. A sua vida é um vazio, ninguém o conhece verdadeiramente, nem ele se conhece...

Pertenceu a uma grande empresa, possui o necessário para passar o resto da sua vida tranquilo, mas algo continua a faltar... não realizou algo que faça com que seja lembrado, após ele e todos os que o conheceram, partirem.

 

Schmidt empreende aqui a viagem para descobrir o que o fará, ser recordado, o que mudou no mundo.

É um homem triste, um homem muito triste que carrega o fardo de não ter descoberto um sentido para a sua vida. Os bens materiais, família e amigos não substituem uma felicidade que devemos encontrar em nós mesmos.

É então que, num acto de generosidade, decide tornar-se "padrinho" de uma criança que vive em pobreza, enviando-lhe todos os meses dinheiro e uma carta em que desabafa tudo aquilo que perturba a sua mente. Toda a infelicidade.

Torna assim uma criança que nada saberá de problemas que afectam adultos abastados vivendo do outro lado do oceano, sua confidente. Descarrega toda a sua raiva e conta todos os problemas que o afligem, a alguém que provavelmente, será incapaz de os compreender.

 

É nesta criança, símbolo de esperança num mundo melhor, que Schimdt encontrará a Razão, o sentido da sua existência. É num desenho, num sorriso formado no momento em que a cortina se encerra que termina a sua busca pela felicidade.

 

Uma viagem de autodescoberta que todos devemos realizar mais cedo ou mais tarde. Uma busca recheada de pura dúvida e tristeza, que se abate sobre nós, quando vêmos que o fim pode estar a chegar...

 

9/10

 

Memorable Quotes

 

Warren Schmidt: Dear Ndugu...

 

[Warren is on top of the motor home under a starry night]
Warren Schmidt: Helen, what did you really think of me, deep in your heart? Was I really the man you wanted to be with? Was I? Or were you disappointed and too nice to show it? I forgive you for Ray. I forgive you. That was a long time ago, and I know I wasn't always the king of kings. I let you down. I'm sorry, Helen. Can you forgive me? Can you forgive me?
[a shooting star passes by]

 

Warren Schmidt: I know we're all pretty small in the big scheme of things, and I suppose the most you can hope for is to make some kind of difference, but what kind of difference have I made? What in the world is better because of me?

 

Warren Schmidt: Relatively soon, I will die. Maybe in 20 years, maybe tomorrow, it doesn't matter. Once I am dead and everyone who knew me dies too, it will be as though I never existed. What difference has my life made to anyone. None that I can think of. None at all.

 


 

publicado por RJ às 22:56
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Quarta-feira, 26 de Março de 2008

"Planet Terror"

 

Rodriguez e os Zombies

 

Premissa: Quando uma região é atacada por um terrível vírus, cabe a um felizardo grupo de "não-infectados" lutar pela sobrevivência...

 

Veredicto: Dois dos mais "loucos" realizadores da História juntam-se num projecto que pretende recriar os filmes exibidos nos cinemas grindhouse. Neste segmento de Robert Rodriguez, recriam-se os filmes de terror...

 

"Planet Terror" não é mais do que uma homenagem ao cinema de terror, em particular ao popular cinema de zombies. É violento e macabro, e é certo que não agradará a espectadores sensíveis, mas esta violência é tão absurda que chega mesmo a ser caricata, como a dos cartoons.

 

É xunga e violento, e o seu único ponto de originalidade advém de uma personagem feminina que além de sensual é, perigosa! O realizador dá algum estilo à fita com aqueles riscos e falhas, imitando o que se passava nas salas antigas, (tendo o espectador direito até a uma "falta de fita") e tal como o seu anterior filme, "Sin City", este também pretende ser um exercício de estilo, mas por muita fita riscada que tenha, é sobretudo, e apenas, um filme de zombies.

 

Como homenagem ao cinema de terror é sem dúvida muito bom, mas falta-lhe o que o segmento de Quentin Tarantino tem, mais originalidade. Claro que aqui o objectivo não era o da originalidade em particular, mas o de recriar este tipo de filmes exibidos em salas com "pior fama", mas por "Death Proof" ser mais original, é que ultrapassa este. 

Todas as dezenas de pessoal mal encarado que nos é apresentado por Rodriguez chegam para torná-lo numa excelente homenagem aos filmes de zombies, e ao cinema grindhouse., mas não chegam para fazer algo novo.

 

O trunfo desta obra? Sem dúvida Rose McGowan, como uma heroína fora do comum, e o único ponto de originalidade. Porque Sr. Rodriguez, para fazer obras de culto não chega fazer explodir monstros... e Tarantino soube dar ao xunga, o sopro de ar fresco que não se nota tanto aqui.

 

6.5/10

 

Memorable Quotes

 

Cherry Darling: I was going to be a stand-up comedian.

 

El Wray: That's my jacket. I looked for it for two weeks.

 

Abby: You killed Bin Laden?
Lt. Muldoon: I put two in his heart, one in his computer.
El Wray: So that was you.

 

Cherry Darling: Name's Cherry Darling...
El Wray: Sounds like a stripper name.
Cherry Darling: No, it sounds like a go-go dancer name. There's a difference.

 

 

 

publicado por RJ às 22:46
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Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

"eXistenZ"

 

O Mundo das Ilusões

 

Premissa: Num futuro próximo as pessoas podem facilmente viver uma realidade alternativa. Mas nem todos estão de acordo com estes jogos, que se tornam quase reais, e é feita uma tentativa para assassinar a maior inventora do tempo, Allegra Geller, que encontra num simples funcionário da empresa, Ted Pikul, a sua única hipótese de sobrevivência.

 

Veredicto: David Cronenberg aparenta ter deixado o fantástica para trás depois das suas duas últimas obras, "A History of Violence" e "Eastern Promises", ambos filmes notáveis que aumentaram o estatuto de qualidade da filmografia do realizador, e "eXistenZ" pode não ser tão bom como esses recentes exemplos, mas também possui uma qualidade inegável.

 

Aqui, tal como voltou a fazer na história de violência, aborda o tema da procura de identidade, aqui os personagens procuram emoções, procuram viver realmente, não vivendo de todo...

O que se aplica à actualidade, em que procuramos como forma de lazer, afastarmo-nos do que é real, vivendo na pele de outras pessoas, vivendo vidas de outras pessoas.

Sentimos a necessidade de nos afastarmos do que somos, para nos encontrar-mos finalmente...

 

A forma como procuramos formas de escapar à realidade, é abordada de forma inteligente, com o contraste da personagem de Jude Law, o único que aparenta desconfiar dos perigos de nos esquecermos de quem somos realmente. O realizador faz com que a essência da história passe para o espectador, sem que a experiência se torne aborrecida, ou a abordagem exagerada, contendo súbitas reviravoltas na história, mas sem que tal impeça a mensagem de passar de forma clara.

 

Os dois actores principais, Law e Jennifer Jason Leigh fazem belos desempenhos neste thriller de ficção-científica que fará pensar todos os espectadores, e que é para ser visto com atenção, já que um segundo visionamento nunca será igual ao primeiro...

 

O filme não se perde em demasiados devaneios, e apesar de nos surpreender com as suas reviravoltas, a conclusão é perfeita.

 

8/10

 

Memorable Quotes

 

Allegra: What the hell was that?
Ted: That wasn't me. That was my game character. I wouldn't have done that. Not here anyway.
Allegra: Our characters are obviously supposed to jump on each other. It's probably a pathetically mechanical attempt to heighten the emotional tension of the next game sequence. No use fighting it.

 

Yevgeny Nourish: Trying to remember who you are?

 

Ted: We're both stumbling around together in this unformed world, whose rules and objectives are largely unknown, seemingly indecipherable or even possibly nonexistent, always on the verge of being killed by forces that we don't understand.
Allegra: That sounds like my game, all right.


Allegra: You're stuck now, aren't ya? You want to go back to the Chinese restaurant because there's nothing happening here. We're safe. It's boring.
Ted: It's worse than that. I'm not sure... I'm not sure here, where we are, is real at all. This feels like a game to me. And you, you're beginning to feel a bit like a game character.

 

 

publicado por RJ às 21:22
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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

"Training Day"

 

Confronto de Ideais

 

Premissa: Para Jake Hoyt, um polícia novato, este é o Dia de Treino, onde terá de provar ao chefe da brigada de Narcóticos se é ou não, merecedor de tal posto.

 

Veredicto: Quando quis ser polícia, Jake Hoyt nunca pensou vir a ser posto à prova por alguém como Alonzo Harris, o chefe da brigada que o irá avaliar durante este "Dia de Treino".

 

Mas o novato irá descobrir neste dia um desafio muito maior do que provar que é bom naquilo que faz, provar que acredita no que faz.

Os seus argumentos que defendem a justiça, vão sendo abalados pelos de Alonzo que faz Jake duvidar das suas convicções.

 

Alonzo, tal como todos os outros polícias, começou como um novato semelhante a Jake. Crente de que sabia o que estava certo. Mas as suas convicções cedo foram destruídas, e este rege-se agora por um código moral de "justiça de rua".

Tal código, que o tornou alguém currompido e disposto a manipular a verdade, faz com que no final do dia, não haja distinção entre este e o comum criminoso.

 

Ao contrário de Alonzo, as convicções de Jake mantiveram-se. Foram abaladas em alguns momentos, mas recusou tornar-se aquilo que prometeu destruir.

 

O que defendemos? Teremos consciência do que defendemos, do que pensamos e do que somos capazes de fazer? E o que é aquilo em que acreditamos?

Este dia levará Jake Hoyt a descobrir aquilo em que acredita. Algo com que todos seremos confrontados, quer queiramos ou não.

 

Denzel Washington triunfa aqui, e o seu personagem capaz de fascinar e repugnar o espectador é a alma do filme, e esta interpretação a melhor da sua carreira, ao lado de um Ethan Hauke numa também excelente prestação.

 

8/10

 

Memorable Quotes

 

Alonzo Harris: My nigga.

 

Jake Hoyt: That's street justice.
Alonzo Harris: What's wrong with street justice?
Jake Hoyt: Oh, what, so just let the animals wipe themselves out, right?
Alonzo Harris: God willing. Fuck 'em, and everybody that looks like 'em.

 

Alonzo Harris: Oh, you federally fucked now.

Alonzo Harris: King Kong ain't got shit on me!

 

 

 

publicado por RJ às 21:18
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

"Fear and Loathing in Las Vegas"

 

Delírio Cinematográfico

 

Premissa: Um jornalista desportivo e o seu advogado partem numa louca viagem para Las Vegas, com a mala do carro cheia de todo o tipo de drogas...

 

Veredicto: O que veríamos se assistissemos a um filme, "pedrados"? Ou, pelo menos com algumas alucinações depois de uma semana a viver no deserto? Nunca experimentei, não tenciono experimentar, e acho que o melhor é ninguém o fazer, mas deduzo que o que alguém sob o efeito de drogas verá num filme, não deve estar longe desta obra de Terry Gilliam.

 

Senhores, esta é sem dúvida uma das mais loucas comédias a que já assisti, e nessa sua loucura, consegue ser, brilhante.

Johnny Depp e Benicio Del Toro são dois actores que fizeram o impensável, interpretar personagens que passam o tempo TODO de uma fita, alucinadas.

 

"Fear and Loathing in Las Vegas" é de um colorido surreal e alucinante. Se pensarmos com clareza, o argumento não é rico, mas apenas os mais cépticos apresentarão reclamações depois de umas magníficas duas horas passadas dentro de um delírio destas proporções.

 

Depp, neste predecessor do Capitão Sparrow, provoca risos involuntários permanentes num filme que, de normal, não tem nada. É pura e simplesmente uma representação e sátira, ao que se passa na mente dos alucinados, e uma sátira ao espírito hippie.

E no meio de tamanha loucura, só faltava um português, e não é que há mesmo um?

 

É o puro delírio cinematográfico, que só podia ter sido realizado por um Monty Pyton, e ganho vida na interpretação do Grande Depp.

 

8/10

 

Memorable Quotes

 

Raoul Duke: You're not Portuguese, man!

 

Raoul Duke: You can turn your back on a person, but, never turn your back on a drug. Especially when it's waving a razor-sharp hunting knife in your eye.

 

Raoul Duke: There was madness in any direction, at any hour. You could strike sparks anywhere. There was a fantastic universal sense that whatever we were doing was right, that we were winning.

 

Raoul Duke: There was evidence in this room of excessive consumption of almost every type of drug known to civilized man since 1544 AD.

 

 

 

publicado por RJ às 22:54
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