Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

Hoje o Cinema pode esperar

 

 

Antes de mais gostaria de pedir desculpa por estas palavras chegarem tão tarde. E peço desculpa porque estas palavras vêem como reacção a uma notícia avassaladora, e às vezes, quanto mais tempo demoramos a comentar notícias destas, parece que menos importância lhes damos. Ainda assim, fique descansado quem esteja a ler, que quanto a mim isso não será verdade. Este não é um apontamento feito de forma fria, por obrigação.

Qual é então a avassaladora notícia? A morte de José Saramago

 

Talvez estejam por aí alguns puritanos espantados por um blog de Cinema fazer um comentário sobre algo que só de forma bastante remota estará relacionado com tal temática. Sinceramente, a mim isso não poderia interessar menos. Cada vez mais procuro fazer deste espaço um lugar de reflexão espontânea, de pensamentos que não surgem de uma obrigação mas de uma necessidade genuína de ter algo a dizer. Isto claro, sem cometer o erro de dar demasiada importância a mim mesmo, apenas a simples importância que tem mais uma voz, seja ela qual for.

É deste espírito de partilhar coisas de forma genuína que aparece a necessidade de colocar o Cinema em segundo plano por hoje. Porque hoje, neste dia em que o mundo ficou incrivelmente mais pobre, o resto pode esperar.

 

Ora, a tarefa de produzir palavras que traduzam  de forma minimamente verdadeira o peso desta perda, é quase impossível. Daí que não tenho ilusões: estes elogios pecam por defeito. Contudo, acho que seria uma pena não os escrever, mesmo que possam ser só mais uns.

Saramago ergueu-se das origens mais modestas para se revelar um artista incomparável, provando que mesmo barreiras que parecem intransponíveis, podem ser derrubadas. Foi um filósofo, um mestre a manejar a palavra. Construiu críticas únicas, olhares que expuseram e continuarão a expôr, a verdade. Nua, crua, visceral e dolorosa. Não se resignou, foi uma voz de revolta e defendeu os seus valores e princípios mesmo perante os insultos daqueles a quem críticas não convinham.

Foi e será, um exemplo de humanidade, pois não foi só um dos maiores escritores portugueses da História, foi inquestionávelmente, um dos maiores Homens a quem o mundo já teve o prazer de servir de casa.

 

E como sinto que pouco mais posso acrescentar e como acho que provavelmente as melhores palavras para perdurarem aqui são algumas de entre as muitas vindas do próprio Saramago, deixo aqui as últimas que publicou no seu blog, Outros Cadernos de Saramago, que retirou de uma entrevista sua ao Expresso em Outubro de 2008, e onde não falta, como de costume, verdade:

 

"Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma."

 

José Saramago

 

 

 

publicado por RJ às 22:49
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Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

O respeito que a Televisão deve ter pelo Cinema

 

 

Na Suécia, a Swedish Broadcasting Corporation processou recentemente o canal TV4, devido a fazer intervalos inconvenientes a meio da transmissão de "Leon" e "Clear and Present Danger". Ou seja, o canal "cortava" o filme nos momentos em que o entusiasmo atingia o pico, e onde, com um intervalo, a visualização é altamente prejudicada. 

O caso foi então para o Tribunal Supremo Administrativo, que decidiu a favor da SBC, declarando que os intervalos prejudicavam a "integridade e valor" dos filmes em questão.

 

Consta que este TV4 é um canal com fama de arruinar a transmissão de filmes com a altura em que faz os intervalos, de tal forma que muitos realizadores não permitem a transmissão dos seus filmes por esse canal.

 

Pormenores aqui!

 

Foi o primeiro caso deste género de que ouvi falar, muito sinceramente, e fiquei especialmente contente por verificar que não é em todo o mundo que se esquecem as exigências de qualidade que um canal deve cumprir na transmisão de um filme, de modo a não prejudicar gravemente a sua visualização. E isto só me fez lembrar as vezes em que pensei que se devia processar alguns canais portugueses, pela forma horrível como transmitem filmes e séries.

 

O desrespeito pelo espectador, e pelos autores do filme, nas nossas televisões, é grande, e não se traduz só em intervalos despropositados, (quer pelo seu número quer pela sua duração). Transmitem-se excelentes filmes e séries muito tarde, tornando impossível que sejam vistos por outras pessoas que não as que sofrem de insónias ou que não têm hora precisa para se levantarem no dia seguinte. E o que dizer de notas de rodapé com tudo e mais alguma coisa, desde notícias a anúncios de concursos? 

 

Parece-me que em Portugal, também não se pensa muito no respeito que um filme merece. Porque bons filmes não são fast-food televisivo para encher horas intermináveis de programação, são o trabalho artístico de muitas pessoas, pessoas essas que não pretenderam que a visualização do seu trabalho fosse interrompida por anúncios, quer a meio da transmissão, quer durante, com as ridículas notas de rodapé.

 

Não há dúvida de que qualquer dia, alguém também tem de processar algum canal português.

 

 

 

publicado por RJ às 00:13
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Sábado, 13 de Fevereiro de 2010

Procuram-se monstros decentes

 

Com a reputação de personagens clássicas do terror a ser arrastada na lama nos dias que correm, já estamos a precisar de um filme do género sobrenatural com qualidade.

Parece-me que este "The Wolfman", com Benicio Del Toro no papel principal a contracenar com Anthony Hopkins e Emily Blunt, tem hipóteses de nos oferecer um bom filme de terror "modernizado" mas com um cheirinho a clássico, e mesmo que a maioria das críticas estejam a ser negativas, mantenho esperança no filme.

 

Vejam o trailer aqui!

 

 

A altura em que estreia parece ideal, devido a toda a febre dos vampiróides e "coisas meio-pró-gótico" que está a contagiar tanto adolescente. Então cá no nosso Portugalito, onde os vampiróides até já contaminam a ficção nacional, numa demonstração de falta de imaginação que faria D Afonso Henriques desejar nunca ter ido bater na mãe, este remake da história do lobisomem até se pode vir a safar bem nas bilheteiras.

 

Serei o único a achar que ele está a arrotar?

 

Quanto a essas novelas de vampiróides que invadem o horário nobre da televisão, deixem-me responder a um argumento a favor delas que tenho ouvido: não, não acho que seja aceitável fazer um copy/paste destes só porque "lá fora também se faz". O que as grandes "mentes criativas" da SIC e da TVI fizeram foi pura e simplesmente arranjar uma forma fácil de ganhar luco à custa de uma "modazeca". E o pior, é que a nossa ficção não só dá dinheiro a projectos que se limitam a copiar um produto já mau como o "Twilight", como consegue fazer uma cópia que é ainda pior que o execrável produto original.

É caso para dizer que este "esforço criativo nacional" é basicamente o mesmo que bater no fundo do poço, agarrar numa pá, e continuar a escavar.

 

Estamos mesmo a precisar de boas representações de monstros clássicos. 

 

 

 

publicado por RJ às 22:30
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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

Today is tomorrow

 

Os dias não se vão repetir, o tempo não vai voltar para trás. Porque o tempo é um amigo traiçoeiro, e quando damos por nós... passou realmente demasiado depressa.

 

Perdeu-se tempo, como perdemos água por entre os dedos, e acordamos para descobrir que... o ontem terminou, e hoje é amanhã.

Porém, é uma realização profunda, porque não é simplesmente o mudar de dia no calendário, é o passar do tempo no nosso íntimo. Acordamos, vindos de travessias num mar de oportunidades perdidas, oportunidades que gostávamos de ter tido, oportunidades que queremos lutar para ter. Descobrimos que, sem margem para dúvidas, quem éramos ontem deu, e dará sempre lugar, a quem somos no amanhã, a quem somos hoje, agora.

E temos tantos caminhos à nossa espera, tantos caminhos para os quais os nossos passos nos levam sem querermos e tantos caminhos que queremos percorrer mas parecemos nunca conseguir. Percebemos que deixámos imensa coisa para trás e que o que nos espera no amanhã é o que fizermos dele, para mudarmos novamente, para voltarmos a acordar e ver tudo parecer diferente quando há pouco tempo nos parecia sempre igual.

Acordamos no amanhã e vêmos aquela linha no horizonte, respiramos e decidimos correr, correr para não perder tempo. Correr atrás de tudo o que queremos, daquelas coisas que só temos quando as perseguimos, quando caímos e nos erguemos do chão frio e duro para levantarmos a cabeça sobre os raios de sol quentes dessa manhã há tanto esperada. Quando nos levantamos e mesmo entre as gotas da chuva sabemos que encontrámos o que queríamos, sem sequer ser preciso sol, sem ser preciso esse sol.

E assim, estamos no amanhã de novo, mas num amanhã diferente. No amanhã que queríamos ter e do qual tantas vezes duvidámos, do amanhã pelo qual se perderam aquelas lágrimas e pelo qual andámos errantes, à procura, por entre os trilhos que percorremos até hoje.

 

É o amanhã em que queremos ficar para sempre, para que ele não se torne no ontem.

Procurem-no, como eu procuro.

 

Feliz Natal!

 

 

 

publicado por RJ às 04:17
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Sobre a Noite de Óscares...

 

As vitórias de "Slumdog Millionnaire" nada tiveram de surpreendente. É um filme que ainda não consegui ter tempo para ver, portanto não posso arriscar grandes comentários quanto a ter sido um triunfo justo ou não, no entanto, não posso evitar falar desta 81ªedição com algum desapontamento, pelo simples facto de "The Curious Case of Benjamin Button" ter sido derrotado. A obra avassaladora de David Fincher merecia muito melhor.

 

A vitória do filme de Danny Boyle mostra também um gosto cada vez mais óbvio da Academia por filmes indie. Por muito que o filme seja bom, o que não duvido, não consigo evitar pensar que, mesmo que não tivesse a qualidade que tem, não deixaria de ser um grande atractivo para a Academia, e para esta grande indústria do Cinema, que procura constantemente livrar-se de acusações de consagrar filmes "demasiado comerciais". A própria história do filme, um rapaz indiano do bairro de lata, que vive uma história de amor e ganha inesperadamente um concurso, adequa-se aos próprios valores que Hollywood e a sua cidade dos anjos supostamente defendem, (que qualquer um se pode tornar estrela, com boas doses de talento, esforço e determinação).

Um filme indie como este Slumdog, tem ainda o bónus de ser elogiado tanto pela crítica como pelo público em geral. Boyle é um género de "realizador de culto", e o baixo orçamento e a falta de estrelas no elenco, mostram ao público que a Academia não "premia sempre os mesmos".

Isto tinha já sido mostrado na edição anterior, quando "Juno" aparece no meio dos nomeados a Melhor Filme. Mesmo para um "feel-good movie" tão bom como este, foi exagerado.

 

Quanto a actores, Penélope Cruz foi a surpresa da noite, e talvez também seja forma de mostrar ao público a tal coisa de não entregar os prémios sempre aos mesmos (leia-se, actrizes que permanecem no ecrã 12 minutos). Sean Penn tirou a Mickey Rourke o Óscar que todos lhe entregavam antecipadamente, e frustrou aquele que seria o expoente máximo da ressureição do actor. O Óscar póstumo atribuído a Heath Ledger não poderia ser mais justo, e a mais que merecida vitória da grande actriz que é Kate Winslet, também não.

 

Hugh Jackman foi refrescante na pele de apresentador, e mostrou mais uma componente da sua versatilidade, sendo um dos mais fortes motivos de interesse em ficar acordado até tão tarde.

A ideia de colocar os anteriores vencedores dos galardões, a premiar o recém-chegado deu também à entrega do prémio maior originalidade e interesse.

 

Não será também inútil relembrar, as nomeações que faltaram, a "The Dark Knight", "Gran Torino", "Revolutionary Road" ou "The Wrestler".

 

Para a posteridade ficam também as intervenções pobres dos comentadores escolhidos pela TVI, intervenções essas que escapam a mais críticas pelo simples facto de, ninguém estar minimamente interessado naquilo que pudessem dizer. Vítor Moura, limitava-se a ir descrevendo o que se passava no ecrã, para qualquer tolo que não percebesse inglês, mas de José Vieira Mendes eram de esperar comentários um pouco mais interessantes, e não meia-dúzia de bitaques lançados ocasionalmente, como que por alguém que aproveitou para ir dormitando ao longo da noite. As menções constantes a festivais como o Festróia também de oportuno, tiveram pouco.

Num último apontamento, ficam para a posteridade os intervalos recheados com  anúncios a mensagens telefónicas de conteúdo pornográfico, cuja única razão de ser talvez fosse fazer os pais enviar os seus petizes para a cama, antes que perdessem horas preciosas de sono. Bem-dita seja a nossa querida TVI.

 

 

 

publicado por RJ às 11:14
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Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

O Futuro de Batman

 

"The Dark Knight" está nas salas e é uma obra-prima. Mas o que reserva o futuro para o Cavaleiro das Trevas? Com o sucesso do filme, haverá certamente um terceiro, mas voltará Christopher Nolan?

 

A questão que se coloca é: como superar, ou igualar, a qualidade deste filme, principalmente dado que não poderemos contar com o Joker?

Deverá deixar-se o Joker perdurar com a brilhante interpretação de Heath Ledger, ou poderá apostar-se num novo actor para o papel? E nesse caso, quem?

 

Ao optar por trazer um novo vilão, qual personagem do universo de Batman se adequará melhor ao tom que Nolan deu à história?

Os nomes mais fortes, e aqueles em que eu também apostaria, são os de Catwoman e The Riddler. O maior problema, creio ser encontrar um novo teste e novos obstáculos à moral do herói, que já foi em "The Dark Knight" testada de forma tão intensa. Mas o segredo está na abordagem feita aos personagens, e Nolan já provou ser genial, portanto confio que poderá adaptar bem estes dois vilões.

E em que actor apostariam para interpretar a Catwoman, o The Riddler, ou outro que considerem mais adequado?

 

Isto vai parecer muito pouco original, mas as minhas apostas são as mesmas da Empire:

Para Catwoman, Emily Blunt parece-me acertada.

 

 

No que toca ao The Riddler, também gostaria de ver Casey Affleck no papel. Surpreendeu-me em "Gone Baby Gone" e "The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford", tendo um potencial enorme. Mostra no grande ecrã possuir um carisma capaz de fazer um vilão interessante, que nas mãos de Nolan se afastaria da interpretação de Jim Carrey em "Batman Forever" e poderia ganhar maior complexidade.

 

 

Agora, espero pelas vossas sugestões...

 

UPDATE: Parece que Angelina Jolie está interessada em interpretar a Catwoman. É uma escolha qe não me agrada, principalmente por parecer demasiado "óbvia" e por ter essencialmente a funçao de atrair pessoas à bilheteira. Neste universo de Christopher Nolan, é necessária uma actriz que saiba compôr uma personagem cativante, e que não se limite a atrair pessoas pela sua fama.

Outra novidade é o rumor que lança o Grande Johnny Depp como um forte candidato a interpretar o The Riddler. Quem por aqui passa conhece a minha admiração por este actor, portanto parece-me uma excelente opção. Depp pode sem dúvida alguma compôr um vilão à altura deste Joker, mas apesar de tudo, acho que Casey Affleck se revelaria uma escolha muito acertada.

 

 

 

publicado por RJ às 16:18
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Quinta-feira, 20 de Março de 2008

O Futuro do Cinema?

 

Cada vez mais, somos abordados com tecnologias que ajudam à realização de um filme, e que nos apresentam imagens extraordinárias, que os cinéfilos de tempos passados sonhavam obter.

 

Não falo da criação de sequências de acção, a criação de duelos e batalhas tem evoluído bastante, mas vou "meditar" num aspecto mais importante que é, o facto de a presença de uma pessoa, a presença de uma interacção entre actores, ou com o ambiente em que representam, ser cada vez menos necessária.

 

O responsável, a meu ver, por tal alargamento de horizontes foi a extraordinária adaptação para Cinema das graphic novels "Sin City", de Frank Miller, por Robert Rodriguez.

Estive recentemente a apreciar os extras do DVD desse mesmo filme, e achei soberbamente interessantes os documentários aí presentes, que, juntamente com exemplos de imagens de visões cada vez mais surpreendentes e reais, me puseram a trabalhar neste artigo.

 

Como certamente saberá o leitor, para "Sin City", o que se conseguiu alcançar "por computador" foi da maior importância. Sendo incrivelmente fiel à BD, é um filme onde o digital é mais importante que a presença de "carne e osso".

Os actores filmaram sobre um "fundo verde", o que nos transporta para a questão, será a interacção com o ambiente, importante? É, decididamente, mas existem lugares, que não podemos representar sem a ajuda das novas tecnologias. Dependendo do género de filme, se percebe quando o ambiente apenas pode ser atingido por efeitos ou não.

 

 

O mais curioso é, no entanto, o facto de em muitas cenas, a interacção entre actores não existir. Se no filme vêmos Brittany Murphy falar com Bruce Willis, tal nunca aconteceu na realidade, assim como quando Mickey Rourke fala com Jessica Alba. Ambos nunca estiveram frente a frente. Cada actor filmou a sua parte em separado, (falando para alguém que assumia o papel da personagem com quem dialogava), e depois ambas as partes da conversa são "coladas" uma à outra, pelos "computadores".

Outro exemplo é a luta entre Mickey Rourke e Elijah Wood, ambos nunca chegaram a lutar um com o outro na realidade, cada um filmou a cena contracenando com um duplo.

 

Vivemos pois, uma realidade onde é dispensável que actores estejam juntos para filmar uma cena. Mas não elimina isso muito do que se pode retirar em termos dramáticos, não elimina uma química entre personagens?

Claro que aqui, não era necessário obter desempenhos particularmente marcantes, dignos de um Óscar, "Sin City" é maioritariamente digital, um filme poderoso que mostra o que podemos alcançar em termos visuais nos dias de hoje.

 

Em exemplos ainda mais recentes, temos "300", adaptação de outra graphic novel de Frank Miller, em que o processo de "copiar" as vinhetas da BD também foi utilizado, e em que tudo o que não é actores, é digital, ou "Beowulf" que usa uma surpreendente técnica que torna a animação, ainda mais real.

 

 

 

O que me levou a recordar o filme "S1m0ne", com Al Pacino, de que já aqui falei, e no qual a actriz principal de um filme é criada inteiramente por um programa de computador, através de uma mix de talentos de actrizes existentes. Tal criação atinge interpretações poderosas que a levam a vencer prémios e a conquistar a crítica.

 

Claro que tudo isto eliminaria o "espectáculo das estrelas" que faz parte do Cinema. As personalidades, os ídolos, os boatos e os escândalos.

A presença humana, nem que apenas de actores, nunca desaparecerá, pois destruiria a identificação que o Cinema pode estabelecer com o espectador.

 

É interessante pensarmos ainda noutra possibilidade... E se conseguissemos fazer "regressar à vida" um actor?

O que me leva a recordar Heath Ledger e o filme de Terry Gilliam que deixou "a meio"... No futuro, poderá um programa de computador acabar o filme, utilizando o que existe em arquivo da pessoa?

 

Nunca deixa de ser interessante pensarmos em como as pessoas se tornam cada vez mais dispensáveis, mas também em como nunca deixarão de ser necessárias... uma máquina não pode igualar o talento de um humano... ou pode?

 

(e não, não ando a ler demasiados livros de ficção-científica, estejam descansados)

 

 

 

publicado por RJ às 12:53
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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Efeitos Secundários

 

 

Aqui vos deixo passagens de outra obra-prima da literatura de Woody Allen, "SIDE EFFECTS", com tradução de Jorge Leitão Ramos:

 

"Quem adivinharia que, ao assistir à demolição de um edifício, na hora do almoço, seria atingido na cabeça por uma das esferas utilizadas para tal fim?

A pancada causou-lhe um choque total e Needleman expirou com um largo sorriso. As suas últimas e enigmáticas palavras foram:

- Não, obrigado, já tenho um pinguim."

 

pág. 9

 

 

"Se esses engenhos provêm, realmente, de um outro planeta, então a civilização que os concebeu deve ter milhões de anos de avanço sobre a nossa. Ou então, essa gente tem sorte. O professor Léon Speciman parte do postulado de que provêm de uma geração mais adiantada que a nossa cerca de quinze minutos. Isso dar-lhes-ia, pensa ele, uma grande vantagem, sobre nós, pelo menos para chegarem aos encontros urgentes."

 

pág. 34

 

 

"Recordo-me de ter olhado para o relógio da parede. Eram exactamente quatro horas e quinze minutos. Estou absolutamente certo da hora, porque o relógio da cozinha está parado há vinte e um anos, e nunca mais mudou um minuto sequer (...) Primeiro, pensei que a minha mulher me tinha apanhado a comer entre as refeições e largado fogo à casa."

 

pág. 39

 

"Posto na sua forma mais simples, a questão é: como é possível encontrar um significado para a vida num mundo finito, se forem dados a medida da minha cintura e o meu número de camisa? (...) Afinal de contas, é possível entrever a alma humana num microscópio? Talvez - mas só com um daqueles muito bons, que têm duas coisas para os olhos."

 

pág. 71

 

 

"A lasagna, ao invés, é bastante deliciosa e absolutamente nada didáctica. Na verdade, ainda contém uma réstea marxista, mas dissimulada pelo molho. Spinelli, durante anos devotado comunista italiano, fez grande sucesso com a inclusão subtil do seu marxismo no tortellini (...) No Restaurante Jacobelli, o antipasto consiste exclusivamente em aipo. Mas Jacobelli é um extremista. Quer chamar a atenção para o absurdo da vida. Quem pode esquecer os scampi: quatro camarões envoltos em alho, dispostos de uma forma que diz mais sobre o nosso envolvimento no Vietname que inúmeros livros sobre o assunto?"

 

pág. 142

 

 

" - Não te inquietes, papá, teremos tantas ocasiões!

Sentei-me na cama e olhei pela janela na direcção dos espaços infinitos. Pensei nos meus pais e perguntei-me se não faria melhor abandonar a carreira teatral e voltar para a escola de rabinos. Pela porta entreaberta vi Connie e Emily, felizes, falando alegremente com os convidados, e tudo o que consegui murmurar, enquanto continuava sentado, imóvel como uma estátua de pedra, foi uma velha reflexão que outrora fazia o meu avô e que é:

- Ora bolas!"

 

pág. 170

 

 

"SIDE EFFECTS", Woody Allen

 

publicado por RJ às 23:30
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Sábado, 16 de Fevereiro de 2008

A Aventura Tem Nome

 

O Cinema está recheado de extraordinárias aventuras e sagas, e dentro de todas elas, uma das que mais me fez, faz e continuará a fazer vibrar, é a do Dr. Henry "Indiana" Jones.

Harrison Ford criou uma das mais marcantes personagens que alguma vez passaram pelo grande ecrã.

As descobertas deste arqueólogo atravessaram os diversos continentes e até chegou a parar em Portugal.

 

A sua imagem de marca, é o chapéu, o chicote e o medo de cobras. Os seus principais inimigos são os nazis, que odeia, como afirma em certa altura na Última Crusada.

 

Mas o que faz esta saga provocar tão boas memórias e emoções nos cinéfilos? 

Na enorme lista de filmes de aventura já feitos, e que se fazem todos os anos por consistirem num dos géneros cinematográficos mais lucrativos, poucos são aqueles que possuem as qualidades que garantem que uma aventura permanecerá para a História, que são, boas personagens, bom argumento e bom ritmo.

 

 

É impossível criar uma mística que perdura no imaginário do espectador sem personagens dotados da força necessária para tal. Pode existir uma história interessante, mas sem personagens que a incorporem, é inútil...

Por outro lado, pode acontecer o contrário, interpretações fortes mas uma história sem interesse, que não agarra o espectador.

O ritmo é outro ponto crucial, que nos filmes de aventura mais recente, tem sido responsável pelo fracasso. De que serve ter bons protagonistas e bom argumento se o ritmo não é controlado?

Indiana Jones contem fortes momentos de acção, mas embora a duração média dos filmes seja de duas horas, passam com o ritmo certo. A acção é intercalada com bons diálogos, e os vários pontos da história vão sendo revelados, sem que nunca aborreça, quer por excessivo movimento, ou falta dele.

 

E claro, como me poderia esquecer da lendária banda sonora de John Williams, que brilha aqui, em mais um trabalho de mestre?

 

Se a aventura tem nome, é de facto, Indiana Jones.

O mérito desta saga é este, ficar para sempre como um dos filmes responsáveis pela definição cinematográfica da palavra "aventura". E nesse mesmo dicionário, se quiserem a definição de "obra-prima", também lá marca presença.

 

 

 

publicado por RJ às 22:59
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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

Introduzindo Woody Allen

 

 

Fazendo uma pausa nos artigos sobre Tim Burton, venho falar-vos de outro realizador que merece todos e quaisquer destaques, Woody Allen!

Quem é que não o conhece? Seja pelos rumores da sua vida pessoal, concertos de clarinete, ou filmografia, todos os que gostam de Cinema já ouviram falar nele.

 

Goste-se ou odeie-se, ninguém lhe fica indiferente.

Allen já demonstrou a sua genialidade para com a 7ªarte, onde o encontramos num registo cómico, mas também dramático. Ainda assim, em todas as obras ficam marcas da sua enorme capacidade crítica e satírica.

 

O humor de Allen é perspicaz, e portanto, provável a estabelecer uma relação de Amor/Ódio com o espectador/leitor, dependendo do seu sentido de humor.

Esse é um dos factores que contribui para o "goste-se ou não" dos seus filmes ou livros, o gostar ou não, do seu sentido crítico, e também a capacidade de ficar alheio a "conspirações de revistas cor-de-rosa".

Longe de o julgar pela vida amorosa, julgo-o pelo seu contributo à arte, que é enorme, tal como todos devem fazer.

 

Este realizador, prova também conseguir elaborar obras magníficas e dotadas de enorme emoção e sensibilidade, como "The Purple Rose of Cairo", o meu "Allen" de eleição.

Nessa rosa, falarei mais tarde, por agora, dou destaque ao lado mais humorístico da sua personalidade...

 

Pertenço ao grupo dos que veneram Woody Allen como um dos maiores génios cómicos da actualidade. O seu humor tem tanto de original e inesperado, como de inteligente e louco, e para termos provas de tal, basta vermos "Shadows in the Fog", "Zelig", "Bullets Over Broadway" ou "Hollywood Ending".

Muitos acusam Woody Allen de "fazer sempre o mesmo filme", mas tal "repetição" de conceitos e histórias, contadas por via de diferentes situações é algo que não considero negativo, mas uma das suas marcas pessoais.

 

Outra prática altamente recomendável, é a leitura de qualquer uma das obras literárias deste "mestre".

Nunca me diverti tanto com um livro, como me divirto com os deste Senhor, e sabendo que manter a sanidade mental no mundo em que vivemos é difícil, uma das formas mais aconselháveis de o fazer é ler o que "o mestre" tem a dizer sobre filosofia, amor não correspondido ou crime organizado.

 

Na esperança de manter a vossa sanidade mental, quando percorrem a Internet, deixarei pequenos excertos dessas obras por aqui.

Começo pelo primeiro livro de Allen que li, "Getting Even". Esse artigo, a conter excertos da obra, será publicado dentro de muito brevemente.

 

 

 

publicado por RJ às 15:14
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