Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

Afinal o "Hugo" não é um filme para crianças

 

 

"Hugo", como toda a gente já sabe, é o primeiro filme de família de Martin Scorsese. Mas dizer que é um filme de família não é o mesmo que dizer que é um filme que serve para "despejar" os filhos.

Se outrora qualquer criança perdia o pio com o que via no ecrã (coisa que o próprio filme de Scorsese mostra), hoje, para quem foi educado à frente da televisão, o Filme já não reserva o mesmo mistério.

Fui obrigado a assistir a "Hugo", um momento de Cinema verdadeiramente mágico, com um bando de crianças intoleravelmente irritantes na faixa dos 7/8 anos na fila de trás, que ao que tudo indicava, lá está, tinham sido despejadas na sala para darem sossego aos pais. E por mais que os adultos que as rodeavam as mandassem calar, de nada servia.

"Hugo" é um filme que pode ser visto e até adorado por crianças, mas têm de ser crianças que recebam o mínimo de educação em casa e que vejam o mínimo de encanto no Cinema, e o que o Cinema é na imaginação de uma criança está sem dúvida a mudar.

 

O filme tem crianças como protagonistas, mas tem um ritmo de adultos e uma história que não apela a qualquer criança, mas sim a um tipo muito específico de crianças, crianças que não vêem o Passado como um sítio entediante e que não reagem com repulsa aos "filmes velhos". Porque esta é uma história de nostalgia, sobre o início do Cinema, integrada na viagem de um rapaz orfão que quer descobrir o seu lugar no mundo e que pelo caminho tem de ajudar um homem a redescobrir o seu. É mais uma viagem emocional do que uma montanha-russa cheia de luzes fluorescentes e explosões.

 

A todas as famílias que estejam por aí: estejam conscientes de que não é a típica história familiar que passa na televisão aos domingos à tarde. Não deixem crianças que não têm respeito pelos mais velhos na sala de Cinema, como se esta fosse uma jaula que as pode conter durante umas horas de modo a poderem ver as montras. Enquanto têm o vosso sossego, lá se vai o sossego de quem pagou, e bem, para apreciar um filme.

Mostrem esta pérola a crianças, mas a crianças que ainda sabem apreciar o encanto dos filmes que encantam, e que respeitam o encanto dos outros.

 

Em total oposição ao que me aconteceu ao ver este "Hugo", quando fui ver o "The Artist", tive uma bela surpresa. O público consistia maioritariamente em adultos, o que não surpreende, e a visualização decorreu em silêncio absoluto (tirando os risos nas cenas do cão, claro), um silêncio de admiração e respeito pelo filme. E eu estava tão surpreendido por aquele silêncio, tão surpreendido por não ter ouvido ninguém gritar "O quê? Isto é mudo?!" ao fim de dez minutos, que só quando chegou o intervalo é que reparei que estava um casal com dois filhos, uma rapariga que devia ter à volta de treze anos e um rapaz de uns oito, duas ou três filas à frente de mim. A criança estava a assistir àquele filme mudo a preto e branco num estado de admiração tal, que eu nem tinha dado pela sua presença!

À saída da sala, quando a mãe perguntou ao filho  se ele tinha gostado, ele respondeu-lhe que tinha adorado. Basta dizer que saí do Cinema tão deliciado com aquela reacção como com o próprio filme.

 

É destas excepções que dependem as gerações.

 

 

 

publicado por RJ às 19:42
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Sábado, 4 de Fevereiro de 2012

Drivers

 

 

"Drive", apesar de ter uma identidade própria que o destaca entre tudo o que já vi na minha vida, tem influências claras. Lembra uma fusão entre "Pulp Fiction" e "Taxi Driver". As vibrações pulp e cool, aliadas a um silêncio que vale por mil palavras (muito diferentes dos fala-baratos de Quentin Tarantino), de heróis solitários que se movimentam nas sombras de grandes cidades (no filme de Martin Scorsese é Nova Iorque, no de Nicolas Winding Refn é Los Angeles), com o seu próprio código de valores. São cavaleiros honrados de contos medievais cujos castelos passaram a ser os arranha-céus banhados pelas luzes de neon, e que substituíram o cavalo pelo carro, dominando a condução com a mesma destreza com que dominavam a espada.

 

No mundo urbano contrário aos seus valores, lutam pela sobrevivência sem nunca abandonarem o caminho da sua justiça muito própria, que os obriga a socorrer as donzelas colocadas em perigo, não por grandes senhores feudais ou dragões, mas pelos monstros que espreitam nos becos das nossas ruas. Socorrem quer sejam meninas a quem foi roubada uma existência inocente como a Jodie Foster salva por Robert De Niro, ou a mãe empenhada em afastar o filho do crime, interpretada por Carey Mulligan e salva por Ryan Gosling.

 

E temos ainda um actor a ligar ambos os filmes, o injustamente ignorado nos Óscares, Albert Brooks.

 

É obra, criar um "Pulp Fiction"-"Taxi Driver" para a segunda década dos anos 2000, e ainda assim, cá está ele.

 

 

 

publicado por RJ às 19:40
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Sexta-feira, 16 de Setembro de 2011

A inteligência por detrás do novo terror

 

Assisti à masterclass que Eli Roth deu no último dia do festival Motelx no Cinema São Jorge em Lisboa, e gostaria de deixar por aqui alguns pensamentos relativamente ao que esse ilustre convidado disse por lá.

 

Antes de mais, Eli Roth foi um convidado fantástico. Notava-se um grande prazer por estar ali, o que é sempre de louvar, estabeleceu um excelente contacto com o público com um óptimo sentido de humor, e partilhou ideias e experiências como se estivesse sentado no café connosco. Foi uma experiência fantástica e se alguém relacionado com a organização do Motelx ler isto, que fique a saber que acho que o festival está de parabéns.

 

O terror mudou depois do 11 de Setembro. Com a masterclass a ter lugar no décimo aniversário dessa data fatídica, o tema era inevitável. Os próprios filmes de Roth são ilustrativos do medo que passou da realidade americana para o Cinema, o medo do outro, o medo do desconhecido, e o medo do que está além fronteiras.

Confirma-se pois que este é um género que não deve ser considerado redutor. A resposta de Eli Roth ao choque e à desaprovação que muitos mostraram no passado em relação aos seus filmes, nomeadamente aos "Hostel", com a sua violência gráfica que marcou o surgimento do torture porn, foi elucidativa disto mesmo. Parafraseando, disse que muitos procuram criticar a violência que vêem retratada em filmes, para mostrarem como têm padrões morais elevados, sem se darem conta daquilo que os filmes representam mesmo.

Por detrás da violência de "Hostel" estão críticas profundas à sociedade moderna e mais especificamente, à sociedade americana. Não é difícil de imaginar que o negócio obscuro retratado no filme (uma organização que oferece ao sector rico da população a oportunidade de experimentar matar alguém), pudesse ser uma realidade. E o retrato propositadamente caricatural do Leste europeu que os protagonistas americanos visitam, não pretende reduzir a Europa, mas expôr a imagem risível que a população americana tem do continente do outro lado do Atlântico.

 

Eli Roth deu provas de ser tudo menos um jovem realizador americano burro. Não só a cultura que tem relativamente ao que existe fora das fronteiras dos EUA ultrapassa largamente a da maioria dos seus compatriotas, como a visão que tem para o Cinema que pretende ajudar a fazer revela inteligência, bom gosto e muito respeito pelo passado.

Apadrinhado por Quentin Tarantino, mostra como este último, um gosto pelo estilo cinematográfico do passado, mais precisamente pelo terror das décadas de 70 e 80. É esse estilo que incorporou no seu Cinema que mostrou a Tarantino e ao mundo, como ele é o "futuro do terror". Eli Roth pertence a uma jovem geração que apesar de ser jovem, ouviu atendamente o que os mais velhos lhe tinham para ensinar, e rejeitou a educação da MTV.

 

Só resta dizer que espero que a próxima visita de Roth não demore muito, e que o próximo Motelx seja igualmente lendário.

 

 

 

publicado por RJ às 02:23
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Sábado, 30 de Julho de 2011

Amor de outros tempos

 

"Super 8" fala de primeiros amores. O primeiro amor à arte, neste caso o Cinema, e o primeiro amor por outra pessoa.

É um pedaço de Cinema saído dos anos 70 e 80, que trás a magia de amar os filmes nesse tempo, para os dias de hoje. Para um tempo, em que a maior parte dos jovens já não compreende essa magia.

 

Ver este novo filme de J. J. Abrams com jovens adolescentes a falar incessantemente na sala, fazendo comentários idiotas e mexendo nos telemóveis, é triste, mas dificilmente poderia ser uma melhor representação da mudança dos tempos, e de como a noção de amor puro ao Cinema está a desaparecer, correndo-se o perigo de este tornar mais um fast-food.

O Cinema perdeu magia quando deixou de ter casa e passou a ter um apartamento alugado num centro comercial.

 

Se amam o Cinema, vejam o "Super 8", e defendam a magia.

 

 

 

publicado por RJ às 09:14
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

Temos anões!

 

 

Aqui estão reunidos os treze anões (neste post só couberam sete), do "The Hobbit", que com a ajuda de Bilbo Baggins e Gandalf o Cinzento, tentarão recuperar o seu reino e os seus tesouros das mãos (ou melhor, patas), do dragão Smaug.

 

Como o próprio Peter Jackson reconhece, uma das grandes dificuldades em adaptar a prequela do "The Lord of the Rings" ao grande ecrã é o facto de, além do hobbit do título e de um certo feiticeiro de chapéu bicudo, o filme ser protagonizado por nada mais nada menos do que TREZE anões.

Nos livros, os anões são descritos como sendo muito parecidos uns com os outros, baixos e barbudos, sendo mesmo dificíl distinguir o anão macho do anão fêmea (que muitas vezes é igualmente barbuda), o que coloca grandes desafios quanto a como retratá-los no grande ecrã. Seria tolo fazer treze personagens extremamente parecidos mas vestidos de cores diferentes, por exemplo. E além de ser necessário fazer com que o espectador os consiga distinguir uns dos outros no ecrã, é necessário fazer o espectador importar-se com o que lhes acontece. Com tantos anões não seria difícil que não se desse pela falta de dois ou três.

Portanto, dois desafios, o retrato visual e o da personalidade. Por enquanto, apenas podemos comentar o primeiro.

 

Na saga dos anéis havia apenas um anão, o fantástico Gimli, que por ser o único representante da sua espécie em toda aquela epopeia, foi retratado como o anão típico. Depois, em termos de personalidade foi maravilhosamente interpretado pelo John Rhys-Davies, e estabeleceu desde cedo uma excelente relação com o espectador, através da amizade formada entre ele, Legolas e Aragorn, (três povos da Terra-Média unidos).

Com treze anões à sua disposição e a difícil tarefa de os tornar facilmente reconhecíveis, Jackson pôde criar variações do protótipo do anão, mantendo os elementos-chave da sua raça.

O líder, Thorin (o anão central), evidencia imediamente características de guerreiro determinado e orgulhoso, e é capaz de se tornar o herói de acção do grupo. Depois temos variações mesmo dentro dos anões mais velhos (com destaque para Balin, o da barba branca à Pai-Natal e Gloin, que se percebe logo ser o pai de Gimli, o segundo a contar da esquerda na imagem do post), mas onde surgem as maiores diferenças é entre os mais novos. O primeiro a contar da direita na imagem completa, Kili, é a mais clara, e deverá ser o elo de ligação à camada feminina mais jovem da audiência, o que se compreende devido à falta do Orlando Bloom entre os protagonistas. Apresenta ainda umas influências élficas (o arco e flechas), que me deixam curioso. Será este um anão mais tolerante em relação a elfos, que tenta fazer a ponte entre as duas culturas?

Colocar treze homens barbudos ao lado de um homenzinho de pés peludos e de um velho ancião como protagonistas, dificilmente chamaria a atenção feminina, e o livro não tem nenhuma mulher, por isso é apenas natural que se tente tornar um ou dois anões mais chamativos para essa secção da plateia, e que se adicione uma personagem feminina, como já foi anunciado. Trata-se de uma elfo chamada Tauriel, interpretada pela Evangeline Lilly, o que cria também interesse da secção masculina, claro.

 

Parece-me que Peter Jackson tomou a abordagem certa. É um grande feito, conseguir individualizar no grande ecrã um grupo que facilmente seria demasiado homogéneo, e estou convencido de que Jackson o conseguirá fazer.

Estamos a caminho de um glorioso regresso à Terra-Média.

 

 

publicado por RJ às 23:50
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Quarta-feira, 20 de Julho de 2011

O Homem-Aranha da geração "Twilight"

 

Já está o trailer do "The Amazing Spider-Man".

 

Ainda não me consegui mentalizar de que para o ano estreia o reboot do Homem-Aranha.

Os filmes do Sam Raimi foram altamente aclamados, especialmente os dois primeiros, que são das melhores adaptações de comics para o grande-ecrã, e marcaram o imaginário tanto de miúdos como de graúdos. Já não é possível imaginar o Aranhiço sem pensar naqueles filmes. Raimi e Tobey Maguire estavam prontos para avançar para o quarto filme, mas por desacordos com a Sony o acordo foi cancelado, e em vez disso, a produtora decidiu começar tudo do início.

Ora bem, o primeiro "Spider-Man" é de 2002, e o último é de 2007! Foi há quatro anos que vimos Maguire como Homem-Aranha nos cinemas pela última vez, e daqui a uns meses vamos ver novamente como Peter Parker se torna super-herói, apesar de a maior parte da população do planeta saber de trás para a frente como é que isso aconteceu, e que "com um grande poder vem uma grande responsabilidade", etc...

 

Resumindo, é ridículo. Qualquer dia, começam a planear refazer filmes no dia de estreia.

Esta febre do reboot e remake é não só um perigo para a originalidade, como um perigo para o próprio Cinema. Existem muitos filmes que só passados alguns anos é que foram conquistando amor entre apreciadores de Cinema. Quem ama filmes sabe bem que os filmes são algo para ser degustado, visto e revisto à medida que se cresce, porque com o passar dos anos, em contextos diferentes, o filme ganha novos significados e é-lhe reconhecida ou negada, qualidade.

Está portanto em causa o crescimento do filme culturalmente, para a sociedade que o vai redescobrindo. A obra vai marcando não só a mesma pessoa, mas novos espectadores, que a descobrem pela primeira vez. Só através deste processo é que se descobre se o filme sobrevive ou não ao teste do tempo.

Um filme é pois, o retrato do tempo em que foi feito, e pode definir o rumo de um género cinematográfico, como aconteceu com os "Spider-Man", que foram tidos como exemplo de como fazer um bom filme de super-heróis para os anos 2000. E tanto que é um retrato do seu tempo, que responde a modas.

 

A decisão de refazer esta saga, e o modo de a refazer, é fruto de uma moda.

Há não muito tempo, uma espécie de novela de vampiros adolescentes começou a fazer milhões e a definir os gostos de uma boa fatia da demografia dos jovens espectadores de Cinema. Proliferaram os Emo's, espécie de adolescentes com tendências depressivas que vêem as suas questões existênciais retratadas nomeadamente na obra de uma certa Stephenie Meyer, a saga "Twilight". Adaptada ao Cinema, tornou-se numa mina de ouro que explora sobretudo a obsessão que as fãs histéricas da saga alimentam em relação aos seus protagonistas, heróis supostamente perseguidos por conflitos com um lado sombrio da sua natureza, que mais não é do que falta de capacidades para a carreira de actor.

Ora eu, quando vejo naquele trailer, o Peter Parker no fundo da sala de aula de capuz posto com ar de quem está a planear como cortar os pulsos, não consigo deixar de suspeitar que isto é um reboot feito a pensar nos jovens Emo. O que é triste.

 

Eu sou fã do Aranhiço desde pequeno, e apesar de não ter um conhecimento enciclopédico sobre a personagem, do que conheço de comics e desenhos-animados, ele é tudo menos um jovem adolescente depressivo. Sim, perdeu os pais e o tio e tem de derrotar o Duende Verde enquanto tenta não chegar atrasado à entrevista de emprego, mas fazia-o com a ajuda do seu sentido de humor e do sentido de justiça.

Raimi não retratou muito o lado cómico da personagem, mas o seu Peter Parker não deixa que a falta de dinheiro para a lavandaria o impeça de ver o lado positivo das coisas. Os filmes são soalheiros, e foi precisamente quando tentou tornar o seu Peter sombrio no sentido da "geração Emo" que fez o terceiro filme descarrilar.

 

Marc Webb até realizou aquela coisa fofinha de nome "500 Days of Summer", e por esse motivo estava à espera de melhor... Enfim, ainda é cedo para condenar definitivamente o filme, mas que me parece um clara tentativa de adaptar um personagem intemporal a uma moda do momento, parece. Safa-se aquele poster do "Rear Window" que este Peter Parker tem no quarto.

Este desejo de lucrar com a geração Twilight ameaça seriamente destruir o futuro dos bons heróis para jovens.

 

 

 

publicado por RJ às 22:03
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Terça-feira, 12 de Julho de 2011

É o anúncio a um filme ou a uma impressora?

 

 

A adaptação da aventura final de Harry Potter, foi dividida em duas partes, que são intituladas nos posters de HP7 - Part 1 e HP7 - Part 2, respectivamente. A redução do título nos posters começou no sexto filme, em que o título aparecia quase sempre cortado, sendo que era já algumas vezes referido como HP6, e em muitos posters para a segunda parte de "Harry Potter and the Deathly Hallows" (aqueles que estão espalhados pela cidade de Lisboa), o título do filme desapareceu por completo, aparecendo somente a tagline.

 

 

Diga-se de passagem que, exceptuando o teaser deste último capítulo, os posters não têm sido muito imaginativos desde os últimos filmes. É o típico "mostrar a cara dos actores", o que, juntamente com o desaparecimento do título, apesar de mostrar falta de originalidade, não deixa de mostrar também uma outra coisa, a popularidade da saga.

 

Harry Potter é uma saga que se tornou uma referência cultural universal. Faz parte do imaginário mundial de tal forma, que nem sequer é preciso colocar a mínima indicação do título do filme para que o "homem comum" saiba que filme é aquele. As próprias personagens são reconhecíveis por todos nós.

 

É uma campanha promocional pouco imaginativa sim, mas é mais um exemplo do quão marcante Harry foi para a nossa cultura.

 

 

 

publicado por RJ às 23:53
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Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011

Óscares 83 - O "Cinema clássico" conquista de novo a Academia

 

 

Há um paralelo interessante entre os Óscares deste ano e os do ano passado.

O ano passado, o favoritismo dividia-se entre "Avatar" e "The Hurt Locker", este ano, entre "The Social Network" e "The King's Speech". De um lado, um Cinema mais moderno, do outro um Cinema no sentido mais tradicional e clássico.

"The Social Network" é um produto de uma nova geração, não só na história, que fala sobre a criação de um site e os dilemas dos jovens milionários da Internet, mas também nos aspectos técnicos, como os rápidos diálogos, e a montagem igualmente veloz. "The King's Speech" é um filme histórico, sem grandes floreados na realização, apesar de ter uma excelente fotografia, que alcança um estatuto extraordinário por contar uma história simples, mas emotiva, e por ter duas grandes interpretações.

 

Foi uma entrega de prémios previsível, mas justa. Destaco nos actores a vitória de Christian Bale, um grande actor que já devia ter sido nomeado anteriormente, Natalie Portman, que fez um trabalho arrebatador em "Black Swan", e claro, Colin Firth, cuja vitória não podia ter sido mais merecida.

Como nem era adequado dar o Óscar a "Inception", porque convém esperar que o Christopher Nolan esteja também nomeado a Melhor Realizador, o filme de Tom Hooper ganhou com toda a justiça. Excepto claro, na categoria de Argumento Original, onde é imperdoável que Nolan não tenha ganho.

Ainda quanto a "Inception", vale a pena mencionar o merecido Óscar de Melhor Fotografia para Wally Pfister. O trabalho de Pfister tem sido desde "Memento" um elemento indispensável aos filmes de Nolan.

Mas pronto, parabéns a Hooper. Independentemente de os produtores terem ou não, feito pressão sobre a Academia para que ele ganhasse...

 

Quanto ao resto, o spoof inicial foi engraçado, mas James Franco não estava nada inspirado durante a cerimónia. Deixou os nervos levarem a melhor, e parecia estar paralisado durante a maior parte do tempo. Valeu-lhe a companhia da mais descontraída Anne Hathaway, mas ainda não foi desta que se ultrapassou o belíssimo espectáculo de Hugh Jackman de há dois anos.

Daquilo que vi, quem esteve realmente inspirado foi Kirk Douglas na entrega do Óscar de Actriz Secundária. A provar que a idade às vezes não importa nada.

 

Resumindo e concluindo, God save the King!

 

 

 

publicado por RJ às 22:57
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Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011

O melhor de 2010 - Efeitos Visuais

 

3

  

  

"Alice in Wonderland"

  

2

 

 

"Scott Pilgrim VS The World"

 

1

 

 

"Inception"

 

 

Visualmente, Tim Burton nunca erra. Já nos habituou aos mundos mágicos que cria filme após filme, e a sua versão de "Alice in Wonderland" não é excepção. Pode falhar algumas vezes quanto ao ritmo em que desenvolve a história, mas visualmente é o mais puro encanto.

Ah, e não vi o filme em 3D.

 

"Scott Pilgrim VS The World", apesar de estar aqui em 2ºlugar, deve ser considerado como um caso à parte. Visualmente, é algo tão diferente, tão novo, que é difícil de comparar. É um filme à parte, está numa categoria só para ele.

A fusão entre o mundo dos jogos de vídeo e dos comics com a realidade é de uma criatividade extremamente difícil de encontrar e trouxe-nos das maiores lufadas de ar fresco de que me lembro.

 

"Inception" é brilhante de tantos pontos de vista, inclusivé no visual. O gosto de Christopher Nolan por fazer as coisas "a sério" até onde é possível, em vez de usar excessivamente os computadores, resulta em algumas das melhores sequências dos últimos anos, como a "luta anti-gravidade no corredor", ou as sequências na neve.

Apesar de o CGI marcar presença, este é daqueles casos em que deslumbra. A cena da "introdução aos sonhos de Ariadne" em Paris, com a rua a explodir, seguida daquela "inversão da cidade", são um deleite para a vista, e irei sem dúvida apreciá-las em detalhe muitas vezes.

 

 

 

publicado por RJ às 22:37
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Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2010

Jack Sparrow: um pirata à beira da reforma?

 

Como já disse aqui antes, para mim, o Johnny Depp é o melhor actor da actualidade. E como também já disse antes, adoro os "Pirates of the Caribbean". O Jack Sparrow é simplesmente das melhores criações que os filmes de aventura alguma vez nos trouxeram.

Ora é precisamente por causa disto que eu não consigo perceber porque é que, depois de ver o trailer para o "Pirates of the Caribbean - On Stranger Tides" (quarto filme da milionária "trilogia convertida em saga", que perde Orlando Bloom e Keira Knightley, mantem Geoffrey Rush e ganha Penélope Cruz e Ian McShane), não consigo estar muito entusiasmado.

 

Vejam o trailer aqui!

 

Há duas coisas em relação a este quarto filme que me deixam com expectativas: um novo realizador, Rob Marshall, e um aparente afastamento do tom super-épico do terceiro filme, com um regresso a uma história mais parecida com a do primeiro, "The Curse of the Black Pearl", que foi inegávelmente o melhor.

Não que eu não tenha gostado bastante do terceiro filme, mas tornou de facto o universo dos Piratas numa coisa com uma mitologia e uma escala demasiado grande, que prejudicou um pouco a história. A maior simplicidade do primeiro continua a deter aquele que é para mim o tom ideal da saga.

 

Por isto, já que os dólares, como bem sabemos, falam sempre mais alto, se era para continuar as aventuras do Capitão Jack Sparrow, ao menos que se voltasse aos elementos que fizeram de "The Curse of the Black Pearl" um sucesso. E parece que realmente, se tenta navegar nesse sentido.

É impossível fazer já grandes julgamentos em relação a este quarto filme, mas pelo que vi, para muita pena minha, o nosso amigalhaço Jack parece um pouco uma sombra daquilo que era no início, e confesso que nunca esperei dizer isto. Noto falta de frescura neste trailer, e frescura é o que a saga precisa.

 

De qualquer forma, continuo com expectativa. E como a intenção da Disney é que este seja o primeiro de uma nova trilogia, espero mesmo que nos aguarde uma bela surpresa.

Seria uma lástima ver o Jack Sparrow de Johnny Depp tornar-se num pirata cansado, sem sinal da glória que concedeu ao actor a sua primeira nomeação ao Óscar, e tornou esta personagem num dos grandes ícones do Cinema da última década.

 

 

 

publicado por RJ às 19:08
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