Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

Toda a alma tem uma face negra...

 

Se me colocassem numa daquelas situações do género, "Se fosses parar a uma ilha deserta, com um número limitado de livros que pudesses levar, quais levavas?", "The Picture of Dorian Gray" de Oscar Wilde teria de constar nessa lista.

Fo um dos mais brilhantes livros que li em toda a minha vida. Para além de elementos de crítica à sociedade Vitoriana, sobressai nessa magnífica história um dos mais profundos retratos da alma humana enquanto elemento imperfeito. É algo de simplesmente único, um livro que é um dos mais puros exemplos da magnificiência do Homem na arte do escrever.

 

Este ano, lá para Setembro, estreia uma adaptação dessa história ao Cinema, pelas mãos de Oliver Parker e conta com Ben Barnes, o Prince Caspian da Narnia, no papel de Dorian Gray e Colin Firth como Lord Henry Wotton, cujo trailer podem encontrar aqui.

 

O livro, como se percebe pelos elogios que já lhe teci, daria quanto a mim um filme magnífico, caso se consiga captar a complexa essência de toda a história. Numa primeira reacção ao trailer, diria que não me parece que seja desta que se faz esse filme.

Não estou pronto para desistir deste filme, nem pensar! Até ao dia em que o vir carregarei sempre alguma esperança, que pode ou não, ser tornada realidade, mas o estilo simplesmente não me parece o acertado.

As cores, todo aquele visual azulado, aqueles reflexos e não sei mais quê... parece-me que se foi mais para um simples filme de luxúria e terror, e talvez se desperdice o verdadeiro "material de obra-prima" que é o livro.

 

Mas não sei, é só um trailer. Como digo, até o ver continuarei com alguma esperança, não a esperança de que será a tal obra-prima, apenas esperança em como o resultado final talvez ultrapasse as expectativas.

 

 

 

publicado por RJ às 22:12
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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Efeitos Secundários

 

 

Aqui vos deixo passagens de outra obra-prima da literatura de Woody Allen, "SIDE EFFECTS", com tradução de Jorge Leitão Ramos:

 

"Quem adivinharia que, ao assistir à demolição de um edifício, na hora do almoço, seria atingido na cabeça por uma das esferas utilizadas para tal fim?

A pancada causou-lhe um choque total e Needleman expirou com um largo sorriso. As suas últimas e enigmáticas palavras foram:

- Não, obrigado, já tenho um pinguim."

 

pág. 9

 

 

"Se esses engenhos provêm, realmente, de um outro planeta, então a civilização que os concebeu deve ter milhões de anos de avanço sobre a nossa. Ou então, essa gente tem sorte. O professor Léon Speciman parte do postulado de que provêm de uma geração mais adiantada que a nossa cerca de quinze minutos. Isso dar-lhes-ia, pensa ele, uma grande vantagem, sobre nós, pelo menos para chegarem aos encontros urgentes."

 

pág. 34

 

 

"Recordo-me de ter olhado para o relógio da parede. Eram exactamente quatro horas e quinze minutos. Estou absolutamente certo da hora, porque o relógio da cozinha está parado há vinte e um anos, e nunca mais mudou um minuto sequer (...) Primeiro, pensei que a minha mulher me tinha apanhado a comer entre as refeições e largado fogo à casa."

 

pág. 39

 

"Posto na sua forma mais simples, a questão é: como é possível encontrar um significado para a vida num mundo finito, se forem dados a medida da minha cintura e o meu número de camisa? (...) Afinal de contas, é possível entrever a alma humana num microscópio? Talvez - mas só com um daqueles muito bons, que têm duas coisas para os olhos."

 

pág. 71

 

 

"A lasagna, ao invés, é bastante deliciosa e absolutamente nada didáctica. Na verdade, ainda contém uma réstea marxista, mas dissimulada pelo molho. Spinelli, durante anos devotado comunista italiano, fez grande sucesso com a inclusão subtil do seu marxismo no tortellini (...) No Restaurante Jacobelli, o antipasto consiste exclusivamente em aipo. Mas Jacobelli é um extremista. Quer chamar a atenção para o absurdo da vida. Quem pode esquecer os scampi: quatro camarões envoltos em alho, dispostos de uma forma que diz mais sobre o nosso envolvimento no Vietname que inúmeros livros sobre o assunto?"

 

pág. 142

 

 

" - Não te inquietes, papá, teremos tantas ocasiões!

Sentei-me na cama e olhei pela janela na direcção dos espaços infinitos. Pensei nos meus pais e perguntei-me se não faria melhor abandonar a carreira teatral e voltar para a escola de rabinos. Pela porta entreaberta vi Connie e Emily, felizes, falando alegremente com os convidados, e tudo o que consegui murmurar, enquanto continuava sentado, imóvel como uma estátua de pedra, foi uma velha reflexão que outrora fazia o meu avô e que é:

- Ora bolas!"

 

pág. 170

 

 

"SIDE EFFECTS", Woody Allen

 

publicado por RJ às 23:30
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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008

Para Acabar de Vez Com a Cultura

 

 

Não existem melhores palavras para descrever Woody Allen, do que as suas, sendo assim, aqui ficam excertos de "Getting Even", ou em português, "Para Acabar de Vez Com a Cultura", com tradução de Jorge Leitão Ramos:

 

 "A Cosa Nostra está estruturada como qualquer governo (...) No topo está o capo di tutti capi, ou seja, o chefão de todos os chefões. As reuniões são em sua casa e ele é o responsável pelo fornecimento das carnes frias e dos cubos de gelo. Uma falha neste domínio significa morte imediata. (A morte, por acaso, é uma das piores coisas que podem acontecer a um membro da Cosa Nostra, e muitos preferem pagar simplesmente uma multa.) (...)"

 

pág. 18

 

"(...) Finalmente, não pode haver dúvidas de que a única característica da «realidade» é que tem necessidade de essência. Isto não quer dizer que não tenha essência mas meramente que tem necessidade dela. (...) No entanto, a máxima cartesiana «Penso, logo existo» podia ser melhor expressa por «Eh!, aí vem a Edna com um saxofone!» (...)"

 

pág. 33

 

"O universo é apenas uma ideia passageira na mente de Deus - um pensamento bonito e incómodo, sobretudo se se acabou de pagar a «entrada» para comprar uma casa."

 

pág. 36

 

" - Rabi, porque é que não nos é permitido comer carne de porco?

  - Não é? - disse o reverendo, incrédulo. - Oh, oh.

Esta é uma das poucas histórias de toda a literatura assídica que aborda a lei hebraica. O rabi sabe que não deve comer carne de porco; mas não liga, porque gosta de carne de porco. Não só gosta mesmo de carne de porco como se pela por ovos de Páscoa. Em suma, importa-se muito pouco com a ortodoxia tradicional e acha a aliança de Deus com Abraão «uma balela». A razão pela qual a carne de porco é proscrita pela lei hebraica é ainda obscura, acreditando alguns estudiosos que a Tora sugere meramente que não se deve comer carne de porco em certos restaurantes."

 

pág. 68-69 

 

"Getting Even", Woody Allen

 

 

Desejo que esta rúbrica sirva para vos aguçar o apetite para empreenderem essa magnífica viagem que é, conhecer, uma parte, da mente do genial Woody Allen.

 

 

publicado por RJ às 22:45
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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

Introduzindo Woody Allen

 

 

Fazendo uma pausa nos artigos sobre Tim Burton, venho falar-vos de outro realizador que merece todos e quaisquer destaques, Woody Allen!

Quem é que não o conhece? Seja pelos rumores da sua vida pessoal, concertos de clarinete, ou filmografia, todos os que gostam de Cinema já ouviram falar nele.

 

Goste-se ou odeie-se, ninguém lhe fica indiferente.

Allen já demonstrou a sua genialidade para com a 7ªarte, onde o encontramos num registo cómico, mas também dramático. Ainda assim, em todas as obras ficam marcas da sua enorme capacidade crítica e satírica.

 

O humor de Allen é perspicaz, e portanto, provável a estabelecer uma relação de Amor/Ódio com o espectador/leitor, dependendo do seu sentido de humor.

Esse é um dos factores que contribui para o "goste-se ou não" dos seus filmes ou livros, o gostar ou não, do seu sentido crítico, e também a capacidade de ficar alheio a "conspirações de revistas cor-de-rosa".

Longe de o julgar pela vida amorosa, julgo-o pelo seu contributo à arte, que é enorme, tal como todos devem fazer.

 

Este realizador, prova também conseguir elaborar obras magníficas e dotadas de enorme emoção e sensibilidade, como "The Purple Rose of Cairo", o meu "Allen" de eleição.

Nessa rosa, falarei mais tarde, por agora, dou destaque ao lado mais humorístico da sua personalidade...

 

Pertenço ao grupo dos que veneram Woody Allen como um dos maiores génios cómicos da actualidade. O seu humor tem tanto de original e inesperado, como de inteligente e louco, e para termos provas de tal, basta vermos "Shadows in the Fog", "Zelig", "Bullets Over Broadway" ou "Hollywood Ending".

Muitos acusam Woody Allen de "fazer sempre o mesmo filme", mas tal "repetição" de conceitos e histórias, contadas por via de diferentes situações é algo que não considero negativo, mas uma das suas marcas pessoais.

 

Outra prática altamente recomendável, é a leitura de qualquer uma das obras literárias deste "mestre".

Nunca me diverti tanto com um livro, como me divirto com os deste Senhor, e sabendo que manter a sanidade mental no mundo em que vivemos é difícil, uma das formas mais aconselháveis de o fazer é ler o que "o mestre" tem a dizer sobre filosofia, amor não correspondido ou crime organizado.

 

Na esperança de manter a vossa sanidade mental, quando percorrem a Internet, deixarei pequenos excertos dessas obras por aqui.

Começo pelo primeiro livro de Allen que li, "Getting Even". Esse artigo, a conter excertos da obra, será publicado dentro de muito brevemente.

 

 

 

publicado por RJ às 15:14
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