Domingo, 20 de Dezembro de 2009

"Romeo + Juliet"

 

Baz Luhrmann adapta a eterna obra de William Shakespeare para os tempos modernos, passando a acção a desnrolar-se na fictícia cidade de Verona, (que parece a nossos olhos uma moderna cidade da América do Sul), e as duas famílias rivais, Capuleto e Montéquio, passam a ser famílias cujos pais são proprietários de duas ricas companhias rivais, e cujos filhos têm uns para com os outros, um enorme ódio, ódio esse com uma origem perdida no tempo.

Chegam-nos assim Romeu e Julieta, (Leonardo DiCaprio e Claire Danes), respectivamente filhos mais novos das famílias de Montéquio e Capuleto, que nutrem um pelo outro grande amor, que parece nunca poder vir a realizar-se devido à barreira de ódio que separa as suas famílias.

 

A história mantem-se a mesma, o cenário muda, e porém, todas as palavras permanecem inalteradas. Todos os diálogos são tal e qual como estão escritos na obra de Shakespeare, sem qualquer alteração.

Esta é a grande originalidade do filme. É algo simples, mas sem dúvida criativo e extraordináriamente bem feito, que Luhrmann torna numa perfeita adaptação da história original, mesmo com tudo o que possa de ter de novo e de estranho para os que detiverem uma posição mais conservadora em relação à história.

 

É de louvar a excelente composição dos personagens, (mesmo secundários como Tibaldo (John Leguizamo) e Mercúcio (Harold Perrineau) são exemplarmente representados, assim como os protagonistas), toda a imaginação na composição dos cenários, e do contexto em que os diálogos shakespeareanos se inserem. A construção da tela onde Lurhmann "pinta" esta sua adaptação é inovadora e sem dúvida um testemunho à originalidade, não só do realizador, mas de todos os enolvidos criativamente no filme.

Criam-se aqui sequências belíssimas como a da festa onde os dois amantes se apaixonam, (onde se notam imensos pormenores curiosos, desde a escolha de fato para as personagens, que nos traz um Romeu como um cavaleiro dos tempos antigos, e o rico e bem sucedido pretendente preferido dos pais de Julieta à mão da sua filha, Páris, como um astronauta americano, um "cavaleiro" dos tempos modernos, cena esta onde vêmos também o belíssimo encontro de olhares dos amantes pela água de um aquário), ou o dramático desenlace de toda a história de amor.

Era dificíl de prever o cenário de uma cidade  a fazer lembrar o Rio de Janeiro, e lutas entre os filhos e sobrinhos das duas famílias, que travam em bombas de gasolina e praias, duelos de pistolas e não de capa e espada, para pano de fundo de uma adaptação da mais famosa das histórias de amor, mas resulta na perfeição. Talvez seja pelos tons quentes, que nos transportam para um ambiente de mil e uma emoções a fervilhar debaixo de interesses dos pais e do caos da cidade, ou talvez seja simplesmente porque o que tornou esta história tão marcante em primeiro lugar, continua lá, de forma imutável: a reflexão para que nos remete e as palavras, as palavras do seu autor.

 

O filme representa perfeitamente o porquê de esta ser uma história intemporal, uma história que moldou para a sempre a imagem que temos da figura dos apaixonados, uma história que deixou escritos para sempre na mente dos apaixonados e não só, os nomes de Romeu e Julieta. Com paixão, é uma história que se pode desenrolar em qualquer tempo, em qualquer lugar.

As palavras, tudo aquilo que representam, é imutável, não podendo o seu poder ser abalado pelo Tempo ou pelo Espaço. Não são as palavras, no fundo, quando ditas com tudo aquilo que pretendem significar, quando sentidas, um voto de amor, independentemente do Tempo ou de qualquer outra variável?

As palavras que se sentem têm um significado maior, e são verdade hoje, assim como o são amanhã. E o Cinema, também consegue ser assim.

 

9/10

___

 

Tybalt: Peace? Peace. I hate the word, as I hate hell, all Montagues, and thee.

 

Juliet: O Romeo, Romeo, wherefore art thou Romeo? Deny thy father and refuse thy name, or if thou wilt not, be but sworn my love, and I'll no longer be a Capulet.
Romeo: Shall I hear more, or shall I speak at this?
Juliet: 'Tis but thy name that is my enemy, thou art thyself though not a Montague. What is Montague? It is nor hand, nor foot, nor arm, nor face, nor any other part belonging to a man. Oh, what's in a name? That which we call a rose by any other word would smell as sweet; so Romeo would, were he not Romeo called, retain that dear perfection to which he owes without that title. Romeo, doff thy name! And for thy name, which is no part of thee, take all myself.

 

Romeo: Is love a tender thing? It is too rough, too rude, too boisterous, and it pricks like thorn.
Mercutio: If love be rough with you, be rough with love. Prick love for pricking and you beat love down.

 

Juliet: My only love sprung from my only hate! Too early seen unknown, and known too late! Prodigious birth of love it is to me that I must love a loathed enemy.
 

 

 

publicado por RJ às 23:27
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