Domingo, 21 de Junho de 2009

"Terminator Salvation"

 

Ninguém consegue deixar bons filmes em paz, principalmente se já forem autênticas marcas. Os filmes de sucesso que não são marcas, normalmente tenta-se que o passem a ser.

Estamos numa altura em que a indústria cinematográfica tem dificuldade em atrair pessoas ao Cinema. As salas já não são o lugar mágico de outros tempos, e claro, o maior inimigo das produtoras, a pirataria, tem vindo a ganhar mais adeptos.

Portanto, qualquer filme com sucesso é explorado até à exaustão, e a menos que seja muito, muito bem protegido não escapa a ver o seu nome manchado por sequelas de baixo nível.

 

"The Terminator" é um clássico da ficção científica, juntamente com a sequela, "T2 - Judgment Day". Só os tinha visto uma vez, e tinha gostado, apesar de já não me lembrar muito bem. Revi-os há uns dias e fiquei rendido: obras-primas.

Confesso que não revi o "T3 - Rise of the Machines", porque me lembro que o achei muito fraquinho, mas talvez por "descargo de consciência" ainda o vá rever...

Tudo isto para dizer o quê? Que, apesar de James Cameron ter imaginado a história como dois filmes, filmes que se completam um ao outro fazendo perfeito sentido e criam uma magnífica história que consegue abordar diferentes temas sem nunca fugir ao alicerce principal, a febre de tirar de grandes sucessos mais e mais dinheiro é superior.

 

Cameron deu a prova da sua classe ao nunca aceitar regressar e defender que a história não devia ter passado do "T2", e tenho de concordar. Tenho de o fazer também por outro motivo, e aqui, talvez um fã de Terminator maior que eu, (não sou daqueles que conhece pormenorizadamente todos os aspectos do filme), me possa explicar o seguinte: no final do "T2" o Dia do Julgamento é evitado, ora isto cria um grande paradoxo, (numa série que no fundo, representa um paradoxo temporal), o de a guerra ter sido evitada e consequentemente, outros filmes não fazerem muito sentido.

Mas pronto, aqui talvez seja eu que preciso de rever o terceiro, no entanto, qualquer intervenção de alguém que conhece este universo melhor que eu é sempre bem-vinda.

 

Passando ao "Terminator Salvation" propriamente dito, a primeira reacção que tenho é: McG?! Porque raio o McG e quem raio é o McG?! Será que os executivos da produtora do filme pensaram, "Hm, este tipo realizou os "Charlie's Angels", é o homem indicado para fazer o regresso ao Cinema de um dos maiores êxitos de sci-fi de sempre..."?

Já para não falar na escolha de um nome artístico apenas com iniciais, que me causa arrepios quando me lembro quão próximo está de nomes de artistas do mundo do hip-hop e do rap...

Este desabafo serve para dizer que um filme desta dimensão pedia mãos mais competentes. Sim, não é totalmente mau, mas está tão longe da perfeição dos dois primeiros que nos faz questionar se era necessário existir.

 

A razão de existir deste filme parece ser só a seguinte: os efeitos especiais das cenas em que o Cameron retratava o futuro já estão ultrapassados, e como queremos sacar dinheiro, vamos mostrar aquilo como deve ser.

O estilo de "Terminator Salvation" foge ao caos apocalíptico imaginado por Cameron, que fazia lembrar John Carpenter, mas aí, como o visual de cinza e poeira até me convence, e o aspecto visual é mesmo uma das poucas boas coisas que o filme tem para oferecer, até não me incomoda. O filme está muito bem feito do ponto de vista visual, nessa categoria chega mesmo a deslumbrar, (mesmo que no que toca a visuais, até ao momento, "Star Trek" seja o melhor do ano).

A mim também não me incomodam as adições de robôs, (mesmo que incomodem o Michael Bay), desde o gigante robótico que leva pessoas às motas-exterminadoras. Isso até compreendo a razão de existir: cria o tal ambiente futurista, a componente de entreternimento é beneficiada e há mais brinquedos para vender.

 

Tudo isto não me incomoda nada, este lado visual conquistou-me completamente, o que me incomoda é a história.

Marcus Wright, a par com a referida parte visual, é incontestávelmente o melhor do filme. E aqui entram as fraquezas principais: esta personagem é o único elemento novo numa história que já conhecemos e portanto ficamos muito mais interessado nele, e na óptima interpretação de Sam Worthington, do que em John Connor, (o principal, em teoria), com o qual não se conseguiu fazer grande coisa.

O problema aqui não está em Christian Bale. Nem me incomoda particularmente a voz rouca que ele volta a usar vinda directamente do Batman, ele interpreta bem o papel, dentro das limitações que teve, e que são, não se saber muito bem o que fazer com a personagem. Ele é o líder, aquele no centro de tudo e que é tão importante para o futuro da humanidade, mas apesar de sentirmos que ele é o que manda no meio de todos os durões da Resistência, continuamos a não estar muito interessados, e queremos descobrir mais sobre Marcus, que é a coisa mais interessante em todo o filme.

 

Kyle Reese também é bom de ver, principalmente por causa de todos os piscares de olho que são feitos ao primeiro filme (como ele ganhou o hábito de prender a arma ao ombro com uma corda, entre muitos outros).

A aparição do grande Arnold também fica bem ao filme.

 

O que sobressai essencialmente deste "Terminator Salvation" é que não existem grandes argumentos que justifiquem o facto de existir. Eu imagino o McG ou um produtor qualquer do filme a dizer algo como: "Quisemos explorar o outro lado da história, mostrar a outra perspectiva, o que nunca tinhamos visto bem mas sempre quisemos ver, etc, etc...". Perdoem-me, mas tudo isso não passa de uma boa treta. Não precisávamos que o McG nos viesse mostrar a guerra do futuro, mesmo que o tenha feito de forma mais do que eficaz visualmente. Sabíamos que havia uma guerra, e as curtas cenas passadas nesse futuro que Cameron apresentava eram mais do que suficientes, portanto tudo não passou de uma forma de ir buscar dólares, e de o esquema, "um terminator vai ao passado...", já estar gasto.

 

Não é tão mau como muitas coisas que passam nas salas todas as semanas, parece-me ser melhor que o "T3", é decididamente um magnífico espectáculo visual, (onde já agora deixo uma nota para a verdadeira brutalidade do som, que fez as cadeiras tremerem umas três ou quatro vezes), e a personagem de Marcus é o ponto forte da história, (mesmo que seja o único), mas "Terminator Salvation" não deixa de ser um filme muito, muito abaixo da excelência dos Terminator de Cameron, que ficarão para a História.

Esta "salvação", vai ficar para sempre marcada por ser desnecessária e acusar uma necessidade de arrecadar dinheiro, que só insulta quem conhece a qualidade dos "T1" e "T2".

 

Merecedor de uma visualização pelo visual e pelo desempenho de Sam Worthington, de resto, a pensar em Terminator, penso nos dois primeiros. Os restantes são outra saga, a do "Exterminadores Implacáveis Que Não Conseguem Deixar os Clássicos Quietos".

E acho que está tudo dito.

 

6/10

___

 

Kyle Reese: Come with me if you want to live.

 

Marcus Wright: So that's what death tastes like.

 

Kate Connor: What should I tell your men when they find out you're gone?
John Connor: I'll be back.

 

Kyle Reese: [to Marcus] You want to know the difference between us and machines? We bury our dead. But no one is coming to bury you.

 

Dr. Serena Kogan: You cannot save John Connor!
Marcus Wright: Watch me.

 

John Connor: Devil hands have been busy...

 

 

 

publicado por RJ às 23:59
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1 comentário:
De scary clips a 24 de Junho de 2009 às 07:51
I wish this was a better film!

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